Atualmente, com o panorama político definido e caminhando para a estabilidade, os investimentos internacionais devem voltar a aquecer a economia. Os projetos antes engavetados e outros novos ligados à mobilidade e eletrificação farão com que a indústria automobilística retome o crescimento em um ritmo muito maior do que diminuiu, como observamos em épocas anteriores.
Como todo período de crescimento, é preciso moderar o entusiasmo e planejar os próximos passos com cautela. A modularização das etapas de investimento, desenvolvimento e automação são tão importantes quanto o que será feito de fato. O controle dos custos é fundamental para que não se dê um passo grande demais. O otimismo é muito frequente na previsão de volumes em momentos como este. É fundamental estimar corretamente e de maneira alinhada os seus recursos e possibilidades de venda e entrega aos clientes.
Sabemos também que, independentemente do momento econômico ou da empresa, um valor que não pode ser esquecido é a qualidade. É claro que existem outros aspectos importantes como segurança, logística, custo e, em especial, o financeiro. Mas colocar o cliente e a qualidade em primeiro lugar é fundamental.
Em minha última experiência profissional, por cerca de dois anos liderei uma restruturação iniciada por uma consultoria externa e renovei boa parte da equipe, priorizando a redução de custos para termos recursos e investindo na qualidade e no desenvolvimento de novos projetos. Centralizei as funções em um único local, enxuguei a estrutura e os estoques e melhorei a comunicação.
Como resultado houve diversas nomeações de clientes e conquistamos novos também. Além disso recebemos as importantes certificações IATF (International Automotive Task Force), que reforçam a qualidade e otimização dos processos.
Quando nos deparamos com grandes mudanças de mercado, principalmente as causadas por crises, se não forem bem administradas, podem levar a processos grandes de demissão. É necessário estar sempre preparado, em especial nesse tipo de indústria. Quanto antes forem tomadas as decisões necessárias de redução de custos, menor será o impacto nos negócios.
A velocidade é importante, assim como também é fundamental a antecipação das ações possíveis, muito antes de a crise chegar. Quando o resultado piora, a estrutura precisa ser reduzida. Quando melhora, precisa ser mantida. O ideal é ter a mesma estrutura enxuta nos bons e maus momentos.
O futuro do mercado automobilístico já anuncia diversas mudanças: eletrificação, veículos autônomos, transportes alternativos para curta distância… O investimento em inovação, direto ou indireto, é muito importante e vital para a sobrevivência da organização em longo prazo.
Precisamos estar preparados, com equipes competentes e recursos para responder a este crescimento, que virá de maneira intempestiva. E sempre ter em mente que, sem saber exatamente quando, teremos uma nova crise e deveremos estar preparados para ela.
*Tarcisio Telles é sócio na consultoria LeanWays. Com passagem por empresas nacionais e multinacionais de manufatura e mais de 30 anos de experiência de mercado, ocupou cargos de liderança na GM, Delphi, PSA Peugeot Citroën, JAC Motors, Plásticos Mueller, Tecnoplast e IPA.