
Desde outubro do ano passado, o Brasil reduziu de 25% para 20% a adição de etanol anidro à gasolina. A redução realizada em 2011 foi feita em decorrência de uma quebra da safra de cana-de-açúcar pelo clima adverso nas regiões produtoras e por causa de investimentos insuficientes nos canaviais.
No entanto, o cenário para o próximo ano indica agora uma oferta mais folgada no Brasil, segundo o presidente da subsidiária de biocombustíveis da Petrobras, Miguel Rossetto. “Defendo isso (o aumento no percentual). Defendo que o governo tem de sinalizar para a próxima safra. Quanto mais rápido o governo sinaliza, melhor é a capacidade de planejamento do setor para a próxima safra. Acho isso muito importante e todos nós avaliamos que teremos condições de abastecer a volta de 25% de etanol na gasolina já no ano que vem”, afirmou Rossetto em entrevista à Reuters.
Questionado sobre o efeito do aumento da mistura de 20% para 25% de uma só vez, Rossetto disse que o salto não seria grande. “Há condições, mas acho importante que haja essa sinalização do governo. Quanto antes (sinalizar), melhor a capacidade de planejamento”, acrescentou Rossetto antes do lançamento de um plano da Petrobras com iniciativas para apoio à cadeia de fornecedores das indústrias de petróleo, gás e naval.
O executivo admitiu que, para 2012, não é possível elevar a mistura, considerando a baixa oferta do biocombustível. “Para este ano, obviamente já não dá mais porque estamos na metade da safra”, declarou. Em seu relatório quinzenal sobre o andamento da safra, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que reúne os produtores do centro-sul, estimou que a moagem tenha atingido 216,8 milhões de toneladas até 1º de agosto, 16,6% abaixo do que foi moído até a mesma data na safra anterior.
Por outro lado, a Unica afirmou ainda que, se as chuvas afetaram a moagem e a qualidade da cana, deverão favorecer a produtividade agrícola. No mesmo relatório, a entidade disse que o volume de cana a ser moído na temporada poderá ficar acima das expectativas iniciais. Na semana passada, o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Allan Kardec, também havia afirmado que o aumento da mistura é possível no ano que vem.