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Presidente da Stellantis diz que receita para o carro popular é complexa

Antonio Filosa se reuniu com Fernando Haddad antes de anúncio sobre novas medidas para desenvolver a indústria no país, mas ressalta que não discutiu projeto com o ministro
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Marcus Celestino

24 mai 2023

3 minutos de leitura

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Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul, se reuniu na quarta-feira, 24, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O encontro ocorreu um dia antes do anúncio que o governo fez sobre plano de incentivo ao setor para ampliar o acesso aos carros populares.

Na reunião de quarta-feira, Filosa disse que conversou com o ministro sobre inúmeros pontos relevantes para o desenvolvimento do país. No entanto, o executivo ressaltou que não debateu com Haddad sobre o carro popular.


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“Não conversamos sobre o projeto de carro popular, ou melhor, sobre o carro verde acessível. Não conheço detalhes do projeto, mas é certo que será um importante marco para o setor. A possibilidade de ampliar o acesso dos consumidores à compra do carro é positiva”, destacou o presidente da Stellantis.

Embora defensor do projeto, Filosa afirmou que a receita para a viabilização do carro popular é complexa. Tal, de acordo com o executivo, deve levar em consideração a facilitação de acesso ao crédito e a inclusão “de algum tipo de isenção fiscal”. Dessa forma, para o presidente da Stellantis, será possível estabelecer um compromisso com a indústria a fim de localizar a produção.

“No mundo todo, a inflação da indústria automobilística foi uma das maiores entre todos os setores produtivos. Por exemplo: o aço sofreu aumentos de preços de 30 a 45% ano sobre ano. Além disso, estamos em um momento macroeconômico global em que os juros estão elevados para conter a inflação”, frisou o executivo. “Este deve ser um programa que facilite o acesso ao veículo, mas a demanda deve ser atendida com veículos produzidos no Brasil, com fornecedores nacionais, garantindo e gerando empregos na produção e no desenvolvimento dos veículos. Seria muito negativo se a demanda fosse atendida por importação de veículos ou componentes”, completou.

Ainda sobre o carro popular, Antonio Filosa disse que a indústria deve fazer esforços de eficiência. Isso, de acordo com o executivo, tem de ser feito sem comprometer a segurança veicular e tampouco a eficiência energética com redução de emissões. “Podemos simplificar alguns itens do carro, mas nada que afete segurança e emissões”, enfatizou.

Para Filosa, Haddad tem visão de desenvolvimento industrial motivadora

Antonio Filosa classificou como “ótima” a reunião de quarta-feira com o ministro da Fazenda. Ele disse ainda que encontrou “muita abertura” com Haddad para falar sobre a indústria automobilística e a indústria como um todo. “Há forte intenção de apoiar a reindustrialização, para acelerar o desenvolvimento. Há planos e estratégias de desenvolvimento para todas as regiões do Brasil, como é necessário em um país continental como o nosso”, destacou o presidente da Stellantis.


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Filosa também fez questão de ressaltar que Fernando Haddad tem uma visão de desenvolvimento da indústria que considera “muito motivadora”. “Conversamos muito sobre investimentos, cenários de crescimento e rotas tecnológicas. Com relação especificamente à indústria automobilística, é muito promissor ter a flexibilidade tecnológica que o Brasil conquistou. Nossas alternativas tecnológicas abrangem a eletrificação, o etanol e também a combinação de ambos em sistemas híbridos, para uma mobilidade de baixo carbono. Só o Brasil tem esta flexibilidade tecnológica. E isto é um ativo muito importante”, avaliou.

O presidente da Stellantis para a América do Sul também comentou sobre a aprovação do arcabouço fiscal pela Câmara dos Deputados. Para ele, isto é uma sinalização “muito positiva sobre os rumos do desenvolvimento e da reindustrialização”.