
À véspera de comemorar 60 anos de atividades no País, o que ocorrerá em 2014, o executivo tratou de reforçar a importância da região para a Bosch: “Os mercados latino-americanos e brasileiro são alguns dos mais expressivos e dinâmicos para nós. Estamos profundamente engajados com a América Latina, que deve continuar a desempenhar um papel importante em nosso desenvolvimento”.
Apesar dos avanços acenados pelo governo com o programa Inovar-Auto, Denner não escondeu a preocupação com os problemas que afetam a competitividade da indústria automotiva brasileira, afetada por infraestrutura precária, baixa produtividade, salários em alta, elevada carga de tributos e falta de previsibilidade cambial, que afeta tanto as exportações como as importações. O presidente mundial da Bosch registra, no entanto, que de 1980 a 2010 o PIB nominal do Brasil cresceu mais que 14 vezes e o País representa o quarto maior mercado automotivo do mundo.
O executivo destaca que a empresa aplica 3,5% do faturamento obtido no Brasil em P&D. Um dos frutos desses investimentos foi a primeira tecnologia flex fuel para uso local. Hoje mais de 20 milhões de veículos em circulação no País utilizam o sistema bicombustível gasolina-etanol, uma parcela já dispensando o tanque extra de gasolina. A Bosch trabalha na injeção direta de combustível para fabricantes estabelecidos no País e, internacionalmente, atua no desenvolvimento de sistemas híbridos e elétricos. Uma das soluções promissoras da empresa é o Hybrid Air, criado em conjunto com a PSA Peugeot Citroën, recentemente apresentado no Brasil e levado ao conhecimento do governo como uma alternativa para o programa de eficiência energética veicular (leia aqui).
Denner salientou a participação da Bosch em iniciativas de ponta no desenvolvimento da indústria automobilística, como os sistemas de assistência ao condutor e direção autônoma, dispositivos de segurança para evitar colisão e danos aos ocupantes de veículos e pedestres, além do início da produção no Brasil de sistemas ESP, de controle de estabilidade.
AVANÇO MODERADO
Presente em 150 países, nos segmentos de tecnologia automotiva e industrial, bens de consumo, energia e tecnologia predial, a Bosch obteve receita global de € 52,5 bilhões em 2012, mobilizando 306 mil colaboradores, dos quais 10,7 mil estão na América Latina (9,7 mil no Brasil). A empresa investiu € 4,8 bilhões em P&D no ano passado e solicitou 4,8 mil registros de patentes, 650 a mais do que em 2011 – o equivalente a 19 patentes por dia de trabalho.
Denner projeta crescimento moderado do PIB mundial de 2,3% em 2013 e um avanço de 2,8% em 2014. Como nos anos anteriores, mercados emergentes, como a China e o Sudeste Asiático, devem contribuir fortemente para o crescimento global. Para ele, na América Latina o crescimento deve melhorar em 2013 e em 2014, com o Brasil se desenvolvendo um pouco mais lentamente.
O Grupo Bosch, como um todo, espera registrar crescimento em torno de 2% a 4% em 2013, com destaque para o setor de tecnologia automotiva, que pode avançar cerca de 5% – um crescimento maior do que a produção automotiva mundial.
NOVAS TECNOLOGIAS
Denner garante que a Bosch tem desenvolvido mais soluções pioneiras do que qualquer outro fornecedor, colocando no mercado produtos como o Sistema Antibloqueio de Frenagem (ABS) e o Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP), duas tecnologias agora presentes no Brasil. A empresa cria sistemas de assistência ao condutor e faz testes com o sistema de condução autônoma em rodovias públicas na Alemanha e na Califórnia, Estados Unidos.
“Mais de 5 mil engenheiros da Bosch trabalham no futuro dos sistemas de assistência ao condutor e de segurança. Esses sistemas já proporcionam vendas anuais de cerca de € 5 bilhões”, explica, destacando soluções de interconectividade entre pessoas e coisas. “A Internet das coisas e serviços, ou Web 3.0, vai tornar a vida das gerações futuras mais segura, simples e eficiente”, garante, observando que um em cada dois smartphones produzidos em 2012 utiliza sensores microeletromecânicos, ou MEMS, produzidos pela Bosch. Ele ressalta também a importância da tecnologia de detecção humana, permitindo aplicações em sistemas de proteção de pedestres para automóveis e em sistemas de segurança para vigilância em edifícios.
INOVAR-AUTO
A América Latina, na qual o Brasil responde por 80% das vendas, é considerada por Denner uma região estratégica para a Bosch, com excelente potencial de desenvolvimento no longo prazo. Ele entende que o Brasil continua a oferecer muitas oportunidades para todos os setores de atividade da Bosch, com produtos que vão desde tecnologia automotiva (70% da receita local), ferramentas elétricas à tecnologia de automação industrial.
Nos últimos dez anos as vendas da empresa na América Latina mais do que dobraram, mas a Bosch reconhece que em 2012 a situação foi “desafiadora para as divisões automotivas no País, especialmente no segmento de veículos comerciais e no campo das exportações”. Ela projeta crescimento de 3% das vendas no Brasil e na região como um todo e aponta como nova estratégia o desenvolvimento de 150 projetos nas indústrias de mineração, construção, petróleo e gás.
A Copa do Mundo de 2014 já rendeu mais de R$ 16 milhões para a Bosch desde 2011, com o fornecimento de ferramentas elétricas e sistemas de segurança para oito estádios.
Ele reconhece que o Inovar-Auto abre oportunidades de negócios na área de eficiência energética, redução de CO2 e segurança. A marca oferece soluções como partida a frio (Flex-Start), injeção direta bicombustível, start-stop, alternador de alta eficiência e sistemas de arrefecimento. “Não vamos reinventar aqui o que está disponível lá fora”, ressalvou, mas prevê esforço significativo no desenvolvimento e adequação de soluções locais.
A empresa espera que a demanda por ABS evolua a partir de 2014, quando o sistema se tornará obrigatório no Brasil e Argentina. No início deste ano teve início a produção da geração 9 dos sistemas ABS e ESP. “A Bosch é a primeira empresa a produzir ESP na América Latina”, comenta. Denner considera o ABS para motos, produzido no Japão desde 2010, uma tecnologia potencial para a América Latina.
Nos últimos dez anos o grupo investiu R$ 1,9 bilhão na América Latina. Em 2013 serão aplicados R$ 35 milhões na expansão de capacidade produtiva e nacionalização de produtos (como uma unidade injetora de sistema diesel) – mesmo ritmo previsto para 2014. No Brasil são investidos R$ 16 milhões por ano em projetos ambientais nas fábricas e o Instituto Robert Bosch destina R$ 4 milhões a projetos sociais.