
A opinião dele reforça a expectativa da Anfavea (leia aqui). A ideia é ter prazo maior para o programa, com revisões a cada cinco anos para atender a possíveis mudanças de cenário. O executivo acredita que a previsibilidade é um dos aspectos fundamentais para o sucesso da política industrial, que precisa desenvolver a capacidade da indústria nacional de produzir e desenvolver carros que atendam à demanda global, cumprindo metas de segurança, conectividade e, claro, de eficiência energética.
Este último aspecto foi, inclusive, uma das vitórias da primeira fase do Inovar-Auto. Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics, indica que, sem as metas de redução do consumo e das emissões impostas no Inovar-Auto 1, os carros vendidos no Brasil já estariam completamente defasados, sem possibilidade de exportação nem mesmo para a Argentina. “E ficaremos fora da tendência global caso a gente não defina novas metas a partir de 2017”, avisa. Ele acredita que nenhuma montadora instalada no Brasil terá grande dificuldade para melhorar em 12% a eficiência energética de sua frota no Brasil nesta primeira fase do Inovar-Auto.
AS BASES DA PRÓXIMA POLÍTICA INDUSTRIAL
Os executivos são unânimes ao defender que a próxima etapa do Inovar-Auto priorize ainda a enfraquecida cadeia de autopeças nacional, como já adiantou Margarete Gandini, do MDIC (leia aqui). “Na crise, esta indústria enfrenta a queda da demanda interna e a dificuldade para exportar”, observa Klizas. Ele e Clemente defendem ainda a necessidade de que o Brasil se torne polo de desenvolvimento de veículos, não só de produção. “O próximo Inovar-Auto precisa trazer benefício para a indústria e para o governo, trazer evolução que reduza a dependência do mercado local com exportações”, avalia.
“Além disso, temos que participar do mundo, das questões de mobilidade, de pensar no carro como serviço, não só como produto”, destaca o executivo do Sindipeças. Para isso, ele lembra que será necessário preencher lacunas tecnológicas. Uma delas está relacionada à segurança, com a necessidade de tornar obrigatório mais dispositivos capazes de reduzir acidentes.
“Avançamos ao tornar compulsório airbags frontais e freios ABS, mas ainda falta muito. O Brasil tem indicadores bem ruins de segurança viária”, diz, citando as 45 mil mortes no trânsito registradas no País em 2014. A obrigatoriedade de sistema de controle de estabilidade, o ESC, que só entra em vigor para todos os carros em 2022, e a inclusão de tecnologia de frenagem de emergência nos veículos são medidas recomendadas pelo executivo para melhorar este número.
Outra lacuna tecnológica da primeira etapa do Inovar-Auto que deve ser corrigida, aponta Clemente, é a falta de regulamentação para a eficiência energética de veículos pesados. “Nos Estados Unidos já existe a meta de reduzir em 25% o consumo de caminhões e ônibus até 2027”, exemplifica.
MENOS BARREIRAS COMERCIAIS
Klizas, da Jato Dynamics, lembra que para o Brasil se integrar como fornecedor global, é essencial também diminuir as barreiras aos veículos importados no mercado interno. “Não existe nenhum país do mundo que produz todas as marcas que vende”, avalia. Segundo ele, o adicional de 30 pontos porcentuais ao IPI de carros importados além da cota permitida pelo Inovar-Auto terá de ser revisto. “Pode ser mantida alguma alíquota, mas ela deverá ser menor”, aponta.
