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Pro+Auto: mais competitividade para fabricantes de peças plásticas

Texto atualizado na quinta-feira, 28, às 12hs
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Redação AB

27 ago 2014

4 minutos de leitura

Com o objetivo de capacitar e desenvolver fornecedores de autopeças plásticas instalados nos municípios de São Paulo e do ABCD Paulista, foi apresentado oficialmente na quarta-feira, 27, o projeto Pro+Auto, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O MDIC lançou edital de chamamento público e a Fundação Vanzolini, instituição mantida por professores do departamento de engenharia de produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), foi aprovada e receberá R$ 1,2 milhão do ministério para, a partir deste mês, prestar consultoria gratuita para até 35 empresas do setor, por cerca de seis meses.

“O Pro+Auto nasceu com o objetivo de orientar os fornecedores de autopeças plásticas, principalmente os tiers 2 e 3, que têm estrutura menor, como adotar melhorias técnicas, gerenciais e de inovação em suas operações. Pretendemos ao longo dos três anos de duração de todas as consultas, ganhar mais competitividade e diminuir o porcentual de peças importadas da nossa indústria”, explica Marcos Pigozzo, consultor do MDIC responsável pelo projeto.

Pigozzo salienta que o Pro+Auto vem de encontro ao Inovar-Auto, regime que visa estimular o investimento nacional no setor automotivo, tendo como um dos requisitos a capacitação de fornecedores locais. O Pro+Auto tem o apoio da Cofauto (Câmara Setorial dos Fabricantes de Componentes Automotivos de Plástico), do Sindiplast (Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo) e da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

Atualmente, segundo José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindiplast, o setor automotivo tem 15% de participação no consumo de transformados plásticos, ocupando a terceira colocação no ranking dos principais consumidores. “O Pro+Auto integra as iniciativas da indústria de transformados plásticos para auxiliar as empresas a se atualizar e se capacitar para a concorrência, especialmente fornecendo a um segmento que passa por momento delicado de vendas”, comenta o presidente.

As empresas participantes do Pro+Auto, que são selecionadas pela Fundação Vanzolini, passarão por cerca de seis meses de consultoria ou 120 horas de orientação. Felipe Lopes, mestre pela fundação e gerente executivo do programa de desenvolvimento de fornecedores, conta que em uma primeira fase é feita a triagem da empresa, seguida por visitas técnicas, levantamentos e apontamentos de como deverão ser introduzidas as melhorias. Uma vez realizadas as mudanças, com investimentos das próprias empresas, a Fundação Vanzolini avaliará os resultados e, por fim, tentará aproximá-las de empresas como ITW Automotivo e Kostal, parceiras do projeto, indicando novas oportunidades de negócios.

“Não faremos uma certificação de qualidade da empresa, mas ajudaremos na evolução de todo o seu processo de gestão”, afirma Gerson Saraiva, técnico do projeto. Ele destaca que a consultoria não se estende apenas a mudanças na área de manufatura das empresas. “O nosso trabalho envolve o desenvolvimento de gestão estratégica, finanças e custos, capital humano, vendas e marketing e, claro, produção. Todos são segmentos que influenciam na competitividade e merecem atenção.”

PARTICIPANTES

Até este momento, cinco fornecedores de autopeças plásticas, todos tiers 2, já estão inscritos no Pro+Auto: Inplasf, Tecnoplastic, Primo Industrial, Plastifluor e Component. O gerente Lopes diz que a licitação atenderá até 35 empresas durante três anos. Mas a ideia é criar um centro de competência na Fundação Vanzolini para treinamento contínuo dessas e de novas empresas de autopeças. “Queremos estender a nossa atuação além do financiamento do MDIC.”

O Sindipeças vê com otimismo a iniciativa. Americo Nesti Jr., consultor do sindicato dos fabricantes de autopeças, diz que, neste momento de queda de produção, existe grande preocupação em relação à saúde das pequenas e médias empresas. “O Pro+Auto será uma boa oportunidade de reestruturação, além de promover a interação e cooperação entre os diferentes elos da cadeia automotiva. A Fundação Vanzolini tem profissionais qualificados para desenvolver este trabalho de capacitação.”

Marcio Silveira, gerente geral da Gabb, fabricante de plásticos com unidades nos municípios de Santo André e Ribeirão Pires, pretende se inscrever em breve no Pro+Auto. Sua empresa fornece autopeças injetadas de pequeno porte para TRW, ZF, Cofap e Magneti Marelli. Passa por dificuldades para aumentar o índice de nacionalização. “O nosso maior desafio é administrar o alto custo da matéria-prima”, aponta. Com cerca de 70 funcionários, a Gabb tem capacidade para processar 90 toneladas de resina por mês. Mas hoje tem conseguido atingir apenas um terço deste volume. “O setor automotivo já correspondeu a 70% da nossa demanda, hoje não chega a 50%. Participar do Pro+Auto pode abrir novas portas para os negócios.”

Gilson Nascimento, que supervisiona as compras de componentes para o interior de veículos da Volkswagen, participou do lançamento oficial do projeto, e diz que tem interesse de que seus fornecedores, como Component, TW e Mauser, participem. “Incentivaremos os nossos 12 parceiros do insumo a se inscreverem.” Segundo o executivo, mais de 90% do acabamento interno de um carro hoje é feito de plástico. “É um insumo de grande interesse das montadoras, principalmente por causa de sua leveza, que contribui para atingir as metas de eficiência energética.”