
-Veja aqui os dados da Anfavea.
Todos os segmentos acumularam queda no início do ano. A produção de leves diminuiu 16,8%, para 1,47 milhão de unidades. As fábricas de caminhões amargaram retração de 18,8%, com 75,9 mil unidades. Já a montagem de ônibus somou 19,1 mil chassis, baixa de 11,1%. Em junho a produção total alcançou 215,9 mil veículos. O volume é 23,3% inferior ao anotado em maio e 33,3% menor do que o de junho de 2013.
Os resultados fracos motivaram a entidade a revisar a expectativa para o ano. A organização prevê agora que a indústria nacional produza 3,39 milhões de veículos, baixa de 10% sobre o resultado de 2013 e mais de 400 mil unidades a menos do que a projeção anterior, que sinalizava evolução de 1,4% no ritmo das fábricas brasileiras.
A revisão é consequência do menor ritmo do mercado nacional, que caiu 7,6% no primeiro semestre, e também do impacto da instabilidade no comércio de veículos com a Argentina. O novo acordo comercial entre os dois países só entrou em vigor em julho (leia aqui). Além disso, o governo argentino tem trabalhado para estimular as vendas de carros produzidos ali e lançou linha de crédito por meio de bancos públicos que garante o financiamento de até 90% do valor do veículo com taxas competitivas, mas pode ser usada apenas na aquisição de carros nacionais.
“A performance da produção de veículos no primeiro semestre também refletiu as férias coletivas que muitas montadoras deram”, esclarece Luiz Moan, presidente da Anfavea. Ele aponta o exemplo do mês de junho, que teve apenas 17 dias úteis por causa de feriados e dias de jogos da Copa do Mundo. “No caso da produção esse número foi até menor. Muitas plantas trabalharam com regime de produção parcial, reduzindo os volumes”, observa.
Os estoques de veículos comprovam o ajuste no ritmo das linhas de montagem. Em número absolutos houve redução de pouco mais de 1% nos volumes em junho na comparação com maio, para 395,4 mil unidades entre indústria e rede de concessionárias. O volume corresponde a 45 dias de vendas, considerando a média diária de emplacamentos do mês passado.
Moan destaca que, apesar do mercado difícil, o nível de empregos na indústria automotiva está mantido próximo de 150 mil trabalhadores. O número respeita acordo feito pela indústria com o governo em maio de 2012, que impunha a manutenção da força de trabalho em troca da redução do IPI para estimular as vendas. “As únicas reduções de quadro que podemos fazer são por meio de PDV (Programa de Demissão Voluntária), aposentadorias e pedidos de demissão dos próprios funcionários.”
2º SEMESTRE
Caso se concretize, a queda na produção de veículos projetada pela Anfavea para este ano será a primeira desde 2002, quando houve retração de 1,4%. Em 2012 a indústria também anotou baixa, mas de apenas 0,3% sobre o ano anterior, porcentual que a associação dos fabricantes considera estável na comparação com o ano anterior. Ainda que a expectativa seja de queda para 2014, o ritmo terá de ser melhor nos próximos meses para cumprir a projeção da associação.
A entidade espera crescimento de 13,2% no ritmo das fábricas no segundo semestre na comparação com o primeiro, com 1,77 milhão de veículos saídos das linhas de montagem. “São oito dias úteis a mais. Só isso já terá impacto na indústria. Há também o efeito da sazonalidade. A segunda metade do ano é tradicionalmente mais aquecida”, avalia Moan, num esforço para traçar um panorama positivo depois dos resultados desanimadores de janeiro a junho. A expectativa do presidente Anfavea, no entanto,soa otimista, já que não há mudança significativa na conjuntura que justifique melhora expressiva no cenário.
Para encerrar 2014 dentro da expectativa da organização, a indústria nacional terá de fabricar, em média, 295,5 mil veículos por mês até o fim do ano. A última vez que esse nível foi superado foi em outubro de 2013, quando as montadoras trabalhavam para formar estoques com a expectativa de que a alíquota do IPI voltasse a ser recolhida integralmente em janeiro e, portanto, com forte possibilidade de pico de vendas no fim do ano, antes do aumento do imposto.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:
