
Durante coletiva à imprensa na segunda-feira, 7, Luiz Moan, vice-presidente da associação, apontou que dezembro de 2012, com 259,3 mil veículos produzidos, teve alta muito tímida, de 0,1%, na comparação com dezembro de 2011, mas registrou retração de 14% em relação a novembro último. “Com as férias coletivas promovidas pelas montadoras é evidente que dezembro teria uma leve queda”, apontou Moan.
Mas o que de fato impulsionou a desaceleração da indústria automobilística em 2012 foram os altos estoques acumulados tanto nas fábricas como nas concessionárias logo no início do ano. O período com maior lentidão da produção ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro, com redução de 19,6% em relação a 2010.
Só depois dos dois meses que a curva de produção começou a subir, à medida que as vendas eram impulsionadas pela redução do IPI, em maio, e os estoques, esvaziados. “A produção foi ruim, mas se olharmos para trás vamos ver que a indústria se mexeu e quase reverteu por inteira a situação. Saiu de um saldo negativo de 19,6% para ao final do ano anotar uma queda de 1,9% na comparação com o ano anterior”, ressaltou o executivo.
A queda de 20,1 % das exportações em 2012 em relação a 2011, para pouco mais de 442 mil unidades, também prejudicou fortemente a produção. A própria Anfavea, ciente de que a crise econômica havia gerado uma capacidade ociosa de 29 milhões de veículos no mundo e aumentado a competição global, não previa uma retração deste tamanho.
Diante desse cenário, a redução das importações de 23,6% em 2011 para 20,9% no acumulado de 2012 teve pouco impacto. Mas até que colaborou para evitar resultados piores. A associação estima que se não tivessem sido adotadas medidas para segurar os importados, como a renegociação do acordo automotivo com o México e o adicional de 30 pontos percentuais no IPI de carros trazidos de fora do Mercosul, a queda da produção poderia chegar a 5% em 2012.
SEGMENTOS
A produção mais prejudicada em 2012 foi a dos caminhões – por causa da chegada da tecnologia Proncove P7, que tornou os veículos mais caros -, com diminuição de 40,5% nos volumes fabricados, para 132,8 mil unidades. Na de ônibus a queda foi de 25,4%, para 36,8 mil chassis.
Já a produção de veículos leves teve leve alta, de 1,2%, no acumulado de 2012, para 3,17 milhões de unidades. Enquanto a fabricação de automóveis teve incremento de 4,1%, para 2,62 milhões, a de comerciais leves diminuiu 10,8%, para 549,2 mil veículos.
EMPREGO
Em 2012, foram gerados 5,3 mil empregos, totalizando 149,9 mil postos de trabalho. Segundo a Anfavea, a maior parte, 4,9 mil, foram admitidos a partir de junho em decorrência da redução do IPI. O número total de postos de trabalho só não é superior ao registrado em novembro, quando as montadoras empregavam mais de 150 mil pessoas.
2013
Apesar do fraco desempenho, a Anfavea tem projeção otimista para 2013. Acredita que a produção de veículos aumentará 4,5%, para 3,49 mil unidades, principalmente porque o ano começa com estoques baixos. Fora isso, as fabricantes que acabaram de se instalar no Brasil aumentarão a capacidade produtiva e novas entrantes começarão as suas operações.
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