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Produção cai menos do que mercado interno

Dezembro foi o segundo melhor mês de produção de 2016 para os fabricantes de veículos instalados no Brasil, com 200,9 mil unidades, em expressiva alta de 40,6% sobre o mesmo período de 2015, mas 7,1% atrás de novembro, que por sua vez registrou o maior volume produzido em um ano. De janeiro a dezembro o total produzido alcançou 2,15 milhões, uma baixa considerável de 11,2% ante 2015, que levou as fábricas para ociosidade acima de 50%, em nível parecido com o que era produzido em 2003/2004 em número bastante inferior de unidades industriais. Ainda assim, graças ao crescimento das exportações (leia aqui), o tombo verificado nas linhas de montagem foi de cerca da metade do registrado no mercado doméstico, de 20,2%. Os números foram divulgados na quinta-feira, 5, pela Anfavea, associação que reúne as montadoras no País.
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pedro

05 jan 2017

4 minutos de leitura

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-Veja aqui os dados da Anfavea
-Leia também: Veja os resultados do setor automotivo em 2016

“As empresas já acreditavam em um dezembro melhor e acertaram, mas poderia ter sido ainda melhor, tendo em vista que, devido aos baixos volumes registrados em 2016, muitas fábricas paralisaram a produção antes do que normalmente se costuma fazer no fim do ano”, explicou Antonio Megale, presidente da Anfavea. Mesmo assim, novembro e dezembro foram os únicos meses que registraram produção mensal superior a 200 mil unidades, patamar que não era alcançado desde outubro de 2015.

Como a produção global deve atingir recorde de 80 milhões de veículos em 2016, a retração no ritmo das montadoras no Brasil deverá fazer o País cair da nona para a décima ou décima-primeira posição entre os países que mais produzem no mundo. “Isso é preocupante porque estamos preparados para produzir muito mais. A ociosidade média das fábricas é de 52% atualmente e esse índice chega a 75% entre os fabricantes de caminhões”, lamenta Megale.

A projeções da Anfavea, refeitas no meio de 2016, apontavam para a fabricação de quase 2,3 milhões de veículos no ano passado, número que se consolidou 6% menor, em 2,15 milhões. “Teríamos ficado bem mais perto da projeção se não fosse pela quebra de produção de uma de nossas associadas, que deixou de fazer de 130 mil a 140 mil carros no ano passado”, explicou Megale – referindo-se a Volkwagen, que entrou em litígio com o fornecedor de estruturas para bancos, o Grupo Prevent, e ficou com falta de componentes para produzir.

ESTOQUES E EMPREGO

Com as reduções de jornadas de trabalho, cancelamento de turnos e demissões, as montadoras conseguiram ajustar para baixo o ritmo de produção e colocaram os estoques em nível mais adequado. Ao fim de dezembro as fábricas e concessionárias tinham 176,2 mil veículos produzidos à espera de compradores, uma redução de pouco mais de 30 mil unidades em relação a novembro. Com isso, o número de dias de vendas necessários para consumir o estoque caiu para perto de um mês, o que é considerado ideal pela Anfavea.

Também segue grande o estoque de mão de obra da indústria: cerca de 9 mil do total de 121,2 mil empregados da indústria estão afastados do trabalho, em regime de layoff (suspensão temporária) ou PPE, Programa de Proteção ao Emprego, em que a empresa reduz o tempo da jornada e o salário. No fim do ano o governo aprovou a prorrogação do programa até dezembro deste ano, que passou a se chamar PSE (Programa de Seguro-Emprego), com aumento de 20% para até 30% na redução do tempo trabalhado e 50% da perda salarial coberta pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) até o limite de pouco mais de R$ 1 mil. “Essa era uma antiga demanda da Anfavea que terá grande impacto na preservação de empregos no setor”, destacou Megale.

Com os programas de demissão voluntária levados a cabo durante 2016, em dezembro as montadoras continuaram a reduzir o número de empregados, que caiu 1,7% em relação a novembro, para o total de 121,2 mil funcionários. Um ano atrás a indústria empregava 130,5 mil pessoas, e em 12 meses foram fechadas 9,3 mil vagas, uma redução de 7,1%.

Assista abaixo a reportagem da ABTV sobre o desempenho da indústria em 2016