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Pedro Kutney, AB
A produção nacional de veículos ficou desconectada do ritmo do mercado. Mais uma vez este ano as fábricas instaladas no País produziram menos unidades do que foram compradas pelos brasileiros. A diferença continua a ser preenchida pelos importados, sem compensação equivalente das exportações. Enquanto as vendas domésticas cresceram 7% em agosto ante julho e 8% nos primeiros oito meses do ano sobre o mesmo período de 2010, a fabricação avançou 5,9% no mês e 4,4% no ano, com soma total de 2,34 milhões de unidades produzidas, contra 2,37 milhões de emplacamentos no período.
Isoladamente, a produção de agosto foi a maior da história, com 325,3 mil veículos fabricados. O fato é paradoxal, pois logo no mês seguinte, em setembro, os maiores fabricantes fizeram paralisações de alguns dias ou concederam férias coletivas de uma a quatro semanas (leia aqui), com o objetivo de ajustar para baixo os estoques que saltaram para 398,8 mil unidades paradas nos pátios de fábricas e concessionárias, equivalente a 37 dias de vendas.
“A produção de agosto provavelmente foi planejada em maio ou junho, quando se espera outro tipo de realidade”, explicou Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes. Ele evitou comentar, no entanto, se as montadoras erraram as projeções e acabaram produzindo mais do que deveriam. Belini lembrou que a Anfavea projeta crescimento da produção de apenas 1,1% este ano sobre 2010. Sobre as paradas nas fábricas, afirmou que “é normal, porque estamos vivendo um ajuste no crescimento do mercado”.
Assista à entrevista exclusiva de Cledovirno Belini a Automotive Business WebTV:
Balança comercial negativa
O mercado externo, que poderia compensar a perda de vendas para importados no Brasil, continua andando de lado com a falta de competitividade internacional dos modelos produzidos aqui. Em agosto foram embarcados para fora do País apenas 44,9 mil veículos, em queda de 3,5% sobre o mês anterior.
Nos oito primeiros meses do ano as exportações somaram apenas um pouco mais do que um mês de produção: 341,3 mil unidades, em alta de 5,2% em comparação com idêntico intervalo de 2010. O número, contudo, é quase 30% menor do que os 481,9 mil veículos exportados de janeiro a agosto de 2005, o melhor ano das exportações do setor. No ritmo atual, os embarques deverão fechar o ano no mesmo nível de 2010, em torno de 500 mil a 503 mil. A Anfavea projeta 485 mil e queda de 3,4%.
Com as importações de 531 mil unidades até agosto, o déficit da balança comercial do setor chega a 189,7 mil veículos. No mesmo período de 2010 o saldo negativo era de 69,8 mil e de 73,1 mil em 2009.
Em valores, contudo, as exportações do setor andam em ritmo superior ao projetado. De janeiro a agosto os fabricantes de veículos somaram vendas externas de US$ 9,89 bilhões, cifra 23% maior do que a apurada no mesmo período de 2010. Com isso, as exportações do ano tendem a atingir de US$ 14 bilhões a US$ 15 bilhões, em crescimento de 8,5% a 16%, acima da projeção da Anfavea, de US$ 13,1 bilhões e avanço de 1,6%.
Belini explica a aparente contradição de volumes menores e valores maiores de exportação: “Isso ocorre principalmente por causa do aumento das exportações de componentes, não de carros. Como exportamos bastante no passado, a frota de veículos brasileiros no exterior cresceu e precisa de peças de reposição.”
Veja aqui a apresentação da Anfavea sobre o desempenho da indústria em agosto, e aqui os principais números de vendas, exportações e produção do setor.