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Produção de motos cresce 16,7% no 1º semestre

Período apresentou a primeira alta após sete anos seguidos de retração
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Redação AB

11 jul 2018

3 minutos de leitura

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A produção de motos no primeiro semestre somou 494,7 mil unidades, registrando alta de 16,7% sobre o mesmo período do ano passado. O resultado da primeira metade do ano só não foi melhor porque a greve dos caminhoneiros prejudicou o escoamento das motos no fim de maio e, consequentemente, a produção em junho, a ponto de alguns fabricantes anteciparem férias coletivas que ocorreriam em julho. Os números foram divulgados pela Abraciclo, entidade que reúne fabricantes do setor.


Faça aqui o download dos dados da Abraciclo

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É a primeira vez em sete anos que o primeiro semestre registra alta sobre o mesmo período do ano anterior. A última vez que isso havia ocorrido foi em 2011, ano recorde do setor, em que a primeira metade do ano já registrava a produção de 1,1 milhão de unidades.
Como consequência, os fabricantes revisaram para cima suas projeções. Em vez de 935 mil motos montadas em Manaus e alta de 5,9%, a Abraciclo estima agora 980 mil unidades e acréscimo de 11%.
Também pelas novas estimativas, os emplacamentos devem atingir 915 mil motocicletas, crescendo 7,5% sobre 2017. A projeção anterior apontava 865 mil motos e discreta alta de 1,6%.

“Revimos os números a partir de uma expectativa de 3,6 mil motos emplacadas por dia útil neste segundo semestre”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

De acordo com o executivo, o aumento da oferta de crédito e o crescimento da participação dos consórcios favoreceram as vendas internas. Mas também é verdade que, de todos os segmentos de veículos, o setor de motos foi o que registrou o maior impacto negativo nas vendas em junho, como consequência não só da greve dos caminhoneiros, mas também pela Copa do Mundo e das festas juninas no Nordeste (leia aqui). Não fosse isso, as vendas do semestre fechariam em alta mais expressiva que os 6,9% anotados.

CRESCE A PARTICIPAÇÃO DE SCOOTERS

A venda de scooters no primeiro semestre somou 31,5 mil unidades, registrando alta de 21,9% sobre o mesmo período do ano passado. Com isso, a participação do segmento passou de 6,4% para 7%. O segmento avançou claramente sobre as motos urbanas, cuja participação recuou de 51,8% para 50,3%.
Também avançaram sobre as motos urbanas os modelos trail (para uso misto) de baixa cilindrada, cuja fatia de mercado passou de 21,5% para 22,1%. Por causa das suspensões mais altas e resistentes, esses modelos também são muito utilizados para entregas.

ABRACICLO REVISA EXPORTAÇÕES PARA BAIXO

De janeiro a junho os fabricantes instalados em Manaus exportaram 41 mil motos, anotando alta de 26,6% sobre igual período do ano passado. A projeção inicial era de enviar até o fim do ano 85 mil motos ao exterior, anotando alta de 3,9% sobre 2017.
A Abraciclo reviu para baixo sua projeção anual, agora em 80 mil unidades e leve queda de 2,2% ante 2017. O motivo: assim como ocorre nos setores de automóveis, comerciais leves e veículos pesados, o principal destino das motos também é a Argentina, que responde por 74,2% dos embarques. A desvalorização do peso e a retração no mercado vizinho obrigaram a Abraciclo a recalcular sua estimativa.
Além da dificuldade logística para exportar motos a partir de Manaus, as fábricas instaladas no Brasil têm dificuldade de concorrer com produtos asiáticos (sobretudo chineses) de baixa cilindrada. Somente Honda e Yamaha conseguem enviar seus produtos ao exterior.
Depois da Argentina, os maiores mercados de exportação são Estados Unidos (6,4% de participação), Colômbia (5%), Austrália (4,6%) e México (2,3%). Peru, Canadá, Guatemala, Panamá e El Salvador são outros destinos frequentes das motos brasileiras.