
O mercado é quem dita o ritmo do setor no País: as vendas do segmento pneumático diminuíram na mesma proporção, de 2%, considerando a mesma base de comparação anual, passando de 48,4 milhões para 47,1 milhões de pneus.
Por sua vez, o volume das importações no acumulado caiu 27%: de acordo com os dados mais recentes da entidade, entraram no Brasil cerca de 15,9 milhões de pneus fabricados em outros países, o volume ficou bem abaixo do apurado há cerca de um ano, quando as importações somaram 21,8 milhões de unidades.
Contudo, considerando só este ano, as importações aumentaram 72%: em janeiro, o volume era de pouco mais de 1,58 milhão de pneus, enquanto em agosto, este volume chegou a 2,8 milhões. Para a Anip, a variação cambial é um dos fatores que tem interferido diretamente no aumento das importações: neste mesmo período, o real sofreu desvalorização na ordem de 23%, saindo do pico de R$ 4,16 em janeiro para R$ 3,20em agosto. Com isto, se a tendência de queda do câmbio prevalecer e chegar a patamares como os registrados no primeiro semestre de 2014, quando a moeda não passou R$ 2,39, o volume de importações tende a aumentar.
“O que, por um lado, pode demonstrar a recuperação econômica do País, com o fortalecimento de nossa moeda, mas por outro pode contribuir para o aumento do passivo gerado pelo não cumprimento das metas de destinação de pneus inservíveis por tradings e distribuidores independentes de pneus importados, determinando um acirramento da concorrência desleal”, explica o presidente executivo da Anip, Alberto Mayer.
Os pneus importados para veículos leves registravam 630 mil unidades em janeiro, enquanto em agosto este volume passou para 986 mil itens, aumento de 54,7%. Para veículos de carga o índice é ainda maior: 99 mil em agosto contra as 35 mil unidades em janeiro, alta de 182%. Com este movimento, os importados aumentaram participação no mercado, saltando de 23% para 31% considerando os números de janeiro contra os de agosto deste ano, quase um terço da demanda.
“Estes pneus são destinados ao mercado de reposição e tiram espaço das empresas que produzem no País, aumentando a ociosidade da indústria nacional”, lamenta Mayer.