
“O Inovar-Auto só veio reforçar essa tendência. Na Europa, a utilização de turbos deve se aproximar de 50% em 2016”, afirma o diretor de engenharia e vendas da BorgWarner, Lauro Takabatake. A empresa inaugurou em abril uma fábrica em Itatiba (SP) com 20 mil metros quadrados de área construída, o dobro da anterior, em Campinas, e que será capaz de produzir 500 mil turbos para motores leves por ano para suprir sua demanda em toda a América Latina.
“No fim de 2014 começa a produção piloto”, diz. “Iniciamos os testes de nossos turbos em motores flex pequenos (1.0 a 1.2) há dois anos e meio. Montamos um time de brasileiros para isso. Alguns continuam na Alemanha, outros ficam três meses aqui e três lá”, afirma o executivo. Segundo Takabatake, as novas turbinas utilizam materiais cada vez mais resistentes a altas temperaturas e têm atuadores conectados diretamente à central eletrônica do motor.
A concorrente Honeywell Turbo Technologies, responsável pela marca Garrett, investirá de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões em Guarulhos (SP) em 2014 para a fabricação de turbocompressores para motores flex de baixa cilindrada. “A produção de turbos menores tem maior grau de automação porque o volume é mais alto. Fica-se mais competitivo e há maior garantia do processo produtivo dessa forma”, garante o gerente de negócios da fabricante, Christian Streck. “Os lançamentos devem ocorrer em 2015 e 2016. Temos de estar com a fábrica pronta”, afirma.
A ampliação ocorrerá na própria unidade de Guarulhos, onde os prédios ocupam um terço do terreno. Lá, um laboratório bastante equipado conduz os testes com etanol. “É uma condição nova. É preciso validá-los (os motores turbinados) em mais de uma aplicação; as principais faixas de cilindrada são 1.2 e 1.4. Quatro fabricantes (de automóveis) estão cotados; trabalhamos mais ativamente com dois”, afirma Streck.

À esquerda, a produção da BorgWarner, que terá capacidade instalada para meio milhão de turbinas em Itatiba; à direita, componentes Garrett fabricados pela Honeywell, cuja fábrica de Guarulhos aguarda investimento em 2014.
A Master Power também se prepara para as demandas do Inovar-Auto. “Reduzimos nossa dependência de componentes nacionais ou importados. Hoje, mais de 90% do turbo é fabricado internamente, desde a confecção dos ferramentais, passando pela fundição de ferro e alumínio, usinagem, montagem e testes”, afirma o diretor comercial, Ricardo Borghetti.
A empresa de São Marcos (RS) concluiu há pouco tempo a instalação de novos equipamentos de usinagem robotizados, que ampliaram a capacidade. “Planejamos a construção de um novo pavilhão de 12 mil metros quadrados e novos equipamentos para alcançarmos a produção de 300 mil turbos em 2016”, conclui Borghetti, que já testa suas turbinas em motores 1.0 e 1.4 para fornecê-las às montadoras nos próximos anos.