

A produção de veículos cresceu 6,7% em maio, incluindo caminhões e ônibus, chegando a 270.247 unidades. Em relação a maio do ano passado houve uma queda de 7,7%.
A produção acumulada no ano soma 1.187.007 veículos, com um recuo de 14,2% sobre o mesmo período de 2008. O recuo dos caminhões foi expressivo: 31,7% (o dos veículos leves foi de 13,1%).
Jackson Schneider, presidente da Anfavea, considerou bom o desempenho da indústria nos primeiros cinco meses do ano e estima que em junho as vendas serão aceleradas com a previsão do fim da redução do IPI no dia 30.
“O IPI teve um papel importante no estímulo à indústria, especialmente na virada do ano, quando os estoques estavam em patamar muito elevado” – admite Schneider. Ele garantiu que a entidade não vem trabalhando para negociar com o governo uma extensão do benefício tributário.
Os estoques no setor são considerados normais, com veículos nos pátios das montadoras em volume equivalente a seis dias de vendas e nas concessionárias a vinte dias de comercialização. No total havia 212.749 unidades disponíveis no final de maio.
As exportações, que têm andado em baixa e segurado a produção, somaram 40.380 unidades em maio, com um aumento de 15,3% em relação a abril. As vendas internacionais até maio (162.447 unidades) ficaram 47,4% abaixo dos números do ano passado no período.
Projeções
A Anfavea mantém as projeções para o mercado automotivo considerando o fim do IPI reduzido, com a produção este ano de 2,86 milhões de unidades, a comercialização de 2,71 milhões de unidades e a exportação de 500 mil unidades.
Diante dos resultados obtidos até agora nas exportações, dificilmente a previsão da Anfavea se concretizará. As vendas internacionais podem nem mesmo passar de 400 mil unidades, afetando assim o volume de produção.
Com a taxa cambial desfavorável dificilmente a indústria local conseguirá elevar o volume de exportações. Além do obstáculo representado pela menor competitividade dos preços brasileiros, os mercados externos estão em acentuada baixa.
“Com a redução das exportações e uma correspondente queda na produção, é hora de voltar a atenção para a cadeia de produção, eliminar gargalos nas linhas de montagem, checar os custos logísticos e as estratégias de estoque e transporte. Quando os mercados internacionais reagirem estaremos em posição de maior competitividade para disputá-los” – disse Schneider.
Emprego
O setor automotivo contabilizava 105.888 trabalhadores no final de maio, com uma queda de 103 postos de trabalho na indústria em relação a abril. No setor de máquinas agrícolas havia 14.490 empregados, com uma perda de 263 posições em relação a abril.
Vendas
As vendas de veículos novos, cujo ritmo já havia sido antecipado nos licenciamentos anunciados pela Fenabrave, alcançaram 246.978 unidades em maio, contra 234.390 unidades em abril (evolução de 5,4%).
As vendas acumuladas somaram no ano 1.149.630 unidades, apenas 0,1% abaixo das 1.151.206 unidades comercializadas no mesmo período de 2008.
Enquanto os veículos leves avançaram 0,8%, para 1.103.728 unidades, os caminhões registraram baixa de 19,2%, para 37.580 unidades.
Hyundai aparece
Esses dados já incluem as vendas da Hyundai, que importa uma série de carros e comerciais leves. A empresa produz um caminhão leve em Goiás, classificado pela Anfavea como comercial leve. Segundo a entidade, os dados de produção da marca (só agora fornecidos) estarão disponíveis no website www.anfavea.com.br.
Schneider explicou a Automotive Business que as informações que a Hyundai passa a fornecer incluem dados dos meses anteriores, desde a inauguração da fábrica em Goiás. Dessa forma, a entidade deverá retificar sua série histórica.
Crédito avança
Schneider destacou que o estoque de crédito para veículos (novos e usados) está no nível de R$ 145 bilhões para crédito direto ao consumidor e leasing, enquanto os juros ficam na média de 20,8% ao ano. “Os bancos menores voltaram a financiar e há no mercado prazos de seis anos para o pagamento” – afirmou.
O varejo de automóveis explora o final do IPI para estimular as vendas em junho, que devem se aquecer. O mercado, desta vez, parece não apostar em prorrogação da redução do IPI – pelo menos não nos moldes atuais. Há quem aposte em uma aterrissagem suave em direção à tabela regular do imposto.
A inadimplência (que mede a falta de pagamento da prestação por 90 dias) nos financiamentos chega a 5,2%, mas essa taxa inclui veículos novos e usados. A Anfavea está empenhada em avaliar quanto dessa taxa corresponde aos financiamentos de veículos novos.
