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Produção de veículos cresce em agosto

Depois de dois meses de retração, a produção de veículos cresceu em agosto na comparação com julho. Foram fabricados no Brasil 265,9 mil unidades, com evolução de 5,3%. Ainda assim, o resultado do mês passado é inferior em expressivos 22,4% na comparação com agosto de 2013. O saldo é negativo também na comparação do acumulado do ano, com redução de 18% de janeiro a agosto, para 2,08 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus montados no Brasil. A performance é a pior para o período desde 2009.
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Giovanna Riato

04 set 2014

4 minutos de leitura

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-Veja aqui os dados da Anfavea

Os dados foram divulgados pela Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos. A entidade indica que as empresas do setor ainda estão adequando o nível de estoques ao menor ritmo de vendas. “Este mês ainda tivemos uma série de férias coletivas e layoffs”, explica Luiz Moan, presidente da entidade, sobre as ações para reduzir o compasso das linhas de montagem.

O executivo garante que as medidas foram adotadas sem necessidade de demissões, honrando o acordo que a indústria automotiva firmou com o governo federal em troca da redução do IPI dos carros, ainda em 2012. Apesar disso, os números da própria entidade mostram que o nível de emprego diminuiu consideravelmente. De julho para agosto são menos 1,4 mil pessoas trabalhando nas montadoras instaladas no País, que contam agora com total de 148,8 mil funcionários. “Essas reduções foram feitas por meio de Programas de Demissão Voluntária (PDV) e acordos com os sindicados. Há ainda trabalhadores que se aposentaram no período e não foram substituídos”, explica Moan.

Mesmo diante das medidas das empresas para reduzir o volume de produção os estoques ainda não cederam. A Anfavea calcula que, em agosto, a indústria manteve 385,7 mil carros armazenados nos pátios das fábricas e na rede de concessionárias. O volume é 0,8% superior ao registrado em julho e corresponde a 42 dias de vendas, tomando como base a média diária do mês passado.

Entre os segmentos, a maior retração da produção aconteceu para os caminhões, que reduziram em 22,7% os volumes do acumulado dos oito meses do ano, para 100,2 mil unidades. Em agosto foram 11,9 mil veículos, número 2,9% inferior ao de julho e 35% menor do que o anotado há um ano.

A fabricação de leves também teve queda expressiva, de 18% de janeiro a julho, para 1,95 milhão de carros. Foram 249,7 mil unidades no mês passado, com alta de 5,3% sobre julho e redução de 22,4% sobre o anotado há um ano.

Já a produção de ônibus chegou a 26,2 mil unidades no ano, 8,4% inferior. Foram 4,1 mil chassis em agosto, com expansão de 44,7% na comparação mensal e de 25,47% na anual.

EXPECTATIVAS

Apesar da retração acumulada até agosto, Moan mantém o otimismo em resultados melhores nos próximos meses. A Anfavea espera que a produção convirja para total de 3,33 milhões de veículos este ano, em queda de 10% na comparação com 2013. Para alcançar o resultado, no entanto, será necessário aumento expressivo dos volumes a partir de setembro. A média mensal até dezembro precisa ser superior a 313,7 mil unidades para que o resultado se concretize, patamar que ainda não foi alcançado este ano. Até agosto foram fabricados, em média, 260,5 mil veículos por mês.

Para elevar o ritmo, Moan aposta nas medidas de adotadas recentemente pelo Banco Central para aumentar a liquidez e estimular a liberação de crédito (leia aqui), que chama de “choque de liquidez”. Segundo o executivo, “qualquer mudança precisa de cerca de três meses para afetar a produção”. Ele acredita que a indústria terá bom resultado no segundo semestre, com alta de 13,2% na comparação com o primeiro, para 1,77 milhão de carros produzidos localmente.

O presidente da Anfavea defende que a atual retração dos negócios é resultado de uma crise de confiança, não de crise na economia. Como exemplo ele cita a redução da expectativa de crescimento do PIB. No início deste ano o mercado esperava avanço de cerca de 3%. Esse número caiu para em torno de 0,5% no mês passado. “O que, de concreto, aconteceu na economia em agosto para reduzirem tanto esta projeção?”, questiona. Passado este ano, Moan espera que a indústria local recupere os patamares anteriores e não se acomode em um nível inferior, com volumes mais modestos.

Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea: