
-Veja aqui os dados da Anfavea
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O dado isolado de junho indica contração de 3% sobre igual mês de 2015 e leve crescimento de 4,2% na comparação com maio. A alta, no entanto, ainda não é tida como indício de recuperação pela Anfavea. “Foi algo conjuntural, não é uma evolução substancial”, reconhece Antonio Megale, presidente da entidade. Segundo ele, além do efeito negativo causado pela queda do mercado, a produção do mês passado foi ainda impactada pela parada de algumas fábricas por falta de componentes, como a Volkswagen, que teve o fornecimento de peças para bancos interrompido por empresas do Grupo Prevent (leia aqui).
Entre os segmentos, os pesados seguem com as contrações mais severas no ritmo das fábricas. A queda mais profunda aconteceu na produção de ônibus, que encolheu 33,4% no primeiro semestre, para apenas 9,2 mil chassis. Entre os caminhões o tombo chegou a 24,8%, com 31,3 mil unidades.
ESTOQUES ALTOS E EXCESSO DE MÃO DE OBRA
Os esforços das montadoras para diminuir os estoques começam a esboçar algum resultado. Enfim o nível de veículos armazenados voltou a corresponder a menos de 40 dias de vendas. O setor terminou junho com 225,6 mil unidades estocadas nas fábricas e concessionárias, com queda de 4% na comparação mensal para volume que equivale a 39 dias de licenciamentos. “Ainda está acima do ideal, mas as empresas estão se esforçando para ajustar”, enfatiza Megale.
O executivo destaca que o patamar de emprego nas montadoras permaneceu estável, com 127,7 mil trabalhadores e leve variação negativa de 0,2% na comparação com maio. O número de funcionários é 6,7% inferior ao de junho do ano passado. A Anfavea calcula que 26 mil colaboradores permanecem em regime de flexibilização da jornada de trabalho, como Layoff e PPE, o Programa de Proteção ao Emprego. Megale aponta que, das 25 empresas consultadas pela Anfavea, 16 fizeram cortes em seu quadro de funcionários, mas 9 delas contrataram para atender ao aumento das encomendas para exportação.
“Algumas empresas sinalizaram a intenção de não renovar o programa, já que não sentem que ele não resolve o problema. Ainda assim, há uma série de companhias que pretendem se manter no PPE pelo período máximo possível, que é de 2 anos, porque acreditam que essa mão de obra será importante quando o mercado brasileiro retomar”, analisa Megale.
Enquanto o patamar de produção recuou 12 anos, o nível de emprego é equivalente ao registrado em 2010. A associação aponta que, até 2015 o número de trabalhadores sempre foi inferior ao patamar de produção. “Usávamos a flexibilidade para fabricar mais, com recursos como hora extra, aumento dos turnos de trabalho e operação no fim de semana”, lembra.
Ele diz que desde 2015 essa relação se inverteu e a indústria passou a ter nível de emprego superior ao de produção. Para equilibrar a diferença, começaram a ser utilizados recursos de flexibilização ao contrário, com foco em reduzir a produção, como layoff e PPE. “O mercado precisa retomar para que essa mão de obra seja melhor aproveitada”, diz. Segundo o dirigente, há excedente de 32 mil trabalhadores na comparação com 2004, ano que teve o mesmo nível de produção do primeiro semestre de 2016.
CAPACIDADE OCIOSA ELEVADA
A Anfavea mantém as projeções revisadas no mês passado. A expectativa é de que a produção de veículos caia 5,5% em 2016, para 2,29 milhões de unidades. Para alcançar este volume, será preciso reduzir o ritmo de baixa nos próximos meses, já que o resultado do primeiro semestre indica retração bem mais forte. A indústria pretende se poiar em exportações para melhorar este patamar.
Mesmo que os resultados convirjam para a queda mais branda prevista pela Anfavea, a capacidade ociosa permanecerá elevada, em torno de 55%. A entidade calcula que as plantas de veículos instaladas no Brasil tenham potencial para fabricar 5 milhões de veículos por ano.
Confira, em vídeo, o balanço dos resultados da indústria automotiva no primeiro semestre de 2016:
