
O ano começa promissor para os fabricantes de veículos, com a expectativa de que sejam produzidos 3,16 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil em 2020. O volume corresponde a aumento de 7,3% na comparação com o resultado de 2019. A expectativa foi divulgada pela Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil, na terça-feira, 7, em coletiva à imprensa.
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Se a projeção virar realidade, a indústria brasileira romperá a marca das 3 milhões de unidades produzidas localmente. Com isso, vai matar a saudade de um patamar que foi alcançado pela última vez em 2014, quando 3,14 milhões de veículos saíram das linhas de montagem brasileiras.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, explica a projeção otimista com a sutil melhora da economia e do ambiente de negócios no Brasil. Ele cita a expectativa de que o PIB avance 2,5% em 2020, com inflação controlada, retomada gradual do nível de emprego e, ainda, a redução da taxa básica de juros, que torna mais barato o financiamento de veículos.
“Começamos 2020 com condições bem melhores do que iniciamos o ano passado, com tendência maior ao consumo”, diz o executivo.
O aumento mais expressivo do volume de produção deve acontecer entre os veículos pesados. Segundo a Anfavea, as fabricantes do segmento podem elevar os volumes em 13,4%, com 160 mil unidades em 2020. Já a produção de automóveis e comerciais leves é estimada em 3 milhões de veículos, patamar 7% ao de 2019.
MERCADO INTERNO PUXA EXPANSÃO
A responsabilidade por puxar a produção de veículos vai ficar nas mãos do mercado interno em este ano. Enquanto as vendas dentro do país devem crescer 9,4% e chegar a 3,05 milhões de unidades, é esperado um novo tombo das exportações, de 11%. A redução é reflexo das dificuldades da Argentina, o principal mercado internacional para os veículos nacionais.
“As exportações brasileiras seguem nesta gangorra de subidas e descidas porque temos muita dependência de um só parceiro comercial”, diz Moraes. Segundo ele, o chamado custo Brasil, que inclui a infraestrutura insuficiente e a alta carga tributária local, impedem a indústria de ter competitividade para levar os produtos nacionais a outros mercados.
Além da questão na Argentina, o executivo lembra que 2020 deve ser um ano desafiador para outros mercados importantes para o Brasil, como Chile e Colômbia, que vivem crises políticas e efervescência de manifestações e movimentos sociais.