
Os 11 dias de greve dos caminhoneiros no fim de maio terão efeito pelos próximos três meses na indústria automotiva. Este será o tempo necessário para que as fábricas compensem a produção perdida por falta de peças e componentes, segundo a Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos instalados no Brasil. “Todas as montadoras interromperam completamente as suas operações por cerca de sete dias e voltaram a trabalhar já na última segunda-feira, 4, logo depois da paralisação”, conta Antonio Megale, presidente da entidade. Com a interrupção, a produção de veículos teve em maio sua primeira retração após 18 meses consecutivos de crescimento, com baixa de 15,3% em relação ao mesmo período de 2017.
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Com 212,2 mil unidades fabricadas, o volume de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus fabricados em maio foi menor também do que o registrado em abril deste ano, com redução de 20,2%. A Anfavea calcula que o setor tenha deixado de produzir de 70 mil a 80 mil veículos por causa da greve dos caminhoneiros. Segundo Megale, cada organização está retomando as atividades em um ritmo, já que o fornecimento de componentes tem recomposição gradativa.
NO ANO, PRODUÇÃO VAI PASSAR DE 3 MILHÕES
O importante, aponta, é que as companhias têm flexibilidade para acelerar a produção a partir de agora e recuperar os volumes perdidos com horas extras e trabalho aos sábados, por exemplo. “Vai depender da demanda do mercado, mas o viés é positivo. Devemos terminar o ano com produção superior a 3 milhões de unidades, uma performance bem expressiva”, diz, sustentando a projeção da entidade de que as fábricas brasileiras farão em 2018 volume 13,2% superior ao registrado em 2017.
Ainda que o resultado de maio tenha sido negativo, no acumulado dos cinco meses do ano a performance foi 12,1% melhor do que a de igual período do ano passado, com 1,17 milhão de veículos produzidos. O segmento de ônibus teve o maior avanço, de 55% para 11,9 mil chassis. Já os fabricantes de caminhões melhoraram em 40,1% o resultado, com 40,9 mil unidades. As montadoras de veículos leves aceleraram o ritmo em 11% e fizeram 1,12 milhão de veículos.
Megale lembra que a paralisação atrapalhou tanto o abastecimento de autopeças e componentes nas plantas quanto o escoamento dos veículos fabricados para as concessionárias. Por isso, o nível de estoques não sofreu baixa tão expressiva e encerrou maio com 207,2 mil unidades, o suficiente para 31 dias de vendas no ritmo daquele mês.
O nível de emprego nas montadoras teve leve aumento com a contratação de um total de 616 trabalhadores. Ao longo do ano o número de pessoas admitidas por montadoras no Brasil cresceu 4,2%, chegando a total de 132,3 mil funcionários. Medidas como layoffs, suspensão temporária do contrato de trabalho e PSE (Programa Seguro-Emprego) parecem ser cada vez menos necessárias. Apenas 1,6 mil pessoas permanecem com suas rotinas de trabalho afetadas por uma destas condições – este número já passou de 20 mil profissionais em períodos de crise mais aguda.
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