
-Veja aqui os dados da Anfavea
“Esta diferença vem ficando menor com o passar dos meses”, aponta Antonio Megale, presidente recém-empossado da entidade (leia aqui). Ele lembra que a retração na produção de veículos chegava a 31,6% no primeiro trimestre. Ainda assim, o executivo admite que a situação é preocupante. “Estamos com uma ocupação muito baixa da nossa capacidade instalada”, lembra. Levantamento da Anfavea divulgado recentemente indica que a utilização do potencial produtivo brasileiro é de modestos 50%. O porcentual é ainda pior no setor de veículos pesados, em que a ociosidade fica em torno de 78% e 80%, conforme aponta a associação.
Foram justamente os segmentos de caminhões e ônibus que sofreram as maiores quedas na produção entre janeiro e abril. As fábricas de caminhões fizeram 20,3 mil veículos, com baixa de 32,4%. Já a montagem de chassis encolheu 39,2% para minguadas 5,9 mil unidades. Enquanto isso, saíram das linhas de montagem 632,4 mil veículos leves, com queda de 25,4%. Somente em abril a baixa na produção total foi de 13,6%, para 169,8 mil veículos.
Com os resultados fracos, a Anfavea deve revisar em breve suas projeções para o resultado de 2016. Desde o início do ano a entidade sustenta a expectativa de que a produção de veículos alcance 2,44 milhões de unidades, com tímido crescimento de 0,5% na comparação com o resultado de 2015. Enquanto a fabricação de modelos leves cairia 0,1%, a montagem de pesados teria alta de 12,8%.
Passado o primeiro quadrimestre, no entanto, a entidade admite que é impossível alcançar tais resultados. “Estamos trabalhando para formular novas previsões, mas o cenário político ainda está incerto. Devemos anunciar nos próximos meses”, diz Megale.
ESTOQUES AINDA NÃO CEDEM
Com o baixo patamar de vendas, os estoques de veículos também não apresentam redução consistente. Abril terminou com 251,7 mil unidades armazenadas nos pátios das fábricas e na rede de concessionárias. O volume corresponde a 46 dias de vendas, dois a menos do que os 48 dias registrados em março. A diminuição, no entanto, não indica tendência de mercado.
“Este volume está muito acima do que a indústria considera ideal. Vamos seguir com nossos esforços para reduzir estoques”, aponta Megale. Segundo ele, um dos focos é estimular as vendas. O outro está em ajustar ainda mais a produção. Este ano o nível de emprego nas montadoras já encolheu 8%, para 128,4 mil funcionários.
Apesar da baixa, o patamar ainda é o mesmo do registrado em 2010, enquanto a produção segue mais baixa. Cerca de 30% do total do quadro de funcionários das fabricantes de veículos, ou mais de 35 mil funcionários, estão com algum tipo de flexibilização na jornada de trabalho com medidas como layoff e PPE (Programa de Proteção ao Emprego).
Nos próximos meses uma série de acordos de adesão ao PPE começam a vencer. Com a extensão da crise, muitas empresas terão de repensar como resolver o excedente de mão de obra. Renovar o programa nas fábricas é uma das opções. Segundo Megale, a única coisa capaz de estabilizar o nível de empregos na indústria automotiva é uma retomada do mercado, algo que ainda parece distante de acontecer. “Se o Brasil não voltar a crescer teremos dificuldades. É impossível manter este nível de ociosidade”, aponta.
Confira, em vídeo, o balanço dos resultados da indústria automotiva de janeiro a abril de 2016:
