
Após bater o recorde negativo de produção em abril, a indústria automotiva teve resultados um pouco melhores em maio. De acordo com números divulgados pela Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), o volume mensal foi de 227,9 mil unidades, representando alta de 27,4% em relação a abril e de 10,7% em comparação a maio de 2022.
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A associação atribuiu o aumento em maio ao retorno das fábricas paralisadas, pelos quatro dias adicionais no mês e pela expectativa gerada pelo anúncio da Medida Provisória, que busca reaquecer as vendas do setor automotivo.
Ao somar os resultados do acumulado em 2023, o volume total é de 942,8 mil unidades. O que representa crescimento de 6,2% frente ao mesmo período do ano passado.
Queda nas exportações no ano
O volume total de exportações em maio foi de 44,3 mil unidades, crescimento de 30,4% frente a abril. Mas queda de 3,7% em relação a maio de 2022, quando o setor exportou 46,1 mil unidades.
Entretanto, o saldo ainda é negativo no acumulado: de janeiro a maio deste ano, a indústria exportou 190,6 mil unidades, ou seja, 4,2% a menos do que no mesmo período de 2022, quando 198,9 mil unidades foram enviadas para fora do Brasil. A Anfavea atribuiu o resultado, mais uma vez, ao recuo dos mercados da Colômbia e Chile, que caíram 24% e 26%, respectivamente.
“Apesar da queda de mercado, nossas exportações continuam apresentando um bom potencial e números interessantes”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea.
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Ao conntabilizar as exportações por valores, a indústria exportou US$ 1,06 bilhão em maio, alta de 17,7% frente ao mês anterior e de 12,9% em relação a maio de 2022. No recorte dos números do período acumulado, o setor chega a US$ 4,7 bilhões, alta de 22,4% em comparação com os cinco primeiros meses de 2022.
Aumento na produção?
Apesar da assinatura da Medida Provisória 1.175, que prevê a concessão de descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil para automóveis de passeio até R$ 120 mil, e que começou a vigorar nesta terça-feira, 6, a Anfavea preferiu não fazer projeções sobre a produção de veículos.
“Depende muito do perfil de cada montadora, mas existe um fator em comum, que é o aumento dos estoques. Eles cresceram muito nesse último mês (maio), quando houve um desaquecimento do mercado, mas não de produção. Então, é natural que algumas montadoras estejam trabalhando no equilíbrio desses estoques. Por isso, certamente haverá algumas paralisações para que isso ocorra”, afirmou Márcio.
Embora tenha admitido que a medida será positiva para a indústria por criar um “ambiente favorável” para a venda de veículos, o presidente da Anfavea afirmou que as montadoras defendiam que a MP durasse pelo menos 12 meses.
“Esse volume de recursos (R$ 500 milhões) não é suficiente para 120 dias no caso de veículos leves. Então, na prática, ou esse programa vai durar bem menos ou o governo colocará mais recursos no programa”.
