
-Veja aqui os dados da Anfavea
O fato de a Anfavea descartar por enquanto nova queda no volume de veículos feitos no Brasil este ano não é exatamente uma boa notícia, já que a acomodação acontece em patamar baixo após o fraco resultado de 2015. O ano terminou com queda de 22,8% sobre 2014, para apenas 2,42 milhões de veículos fabricados localmente.
Os dados isolados de dezembro mostram que foram feitos 142,8 mil veículos no último mês do ano. O volume é 18,4% menor do que o registrado em novembro. Na comparação com igual período de 2014 a baixa é de 30%. As montadoras aproveitaram o último mês do ano para conceder férias coletivas e reduzir estoques, fazendo de dezembro o mês mais fraco em volume de produção de 2015.
No acumulado dos 12 meses, o segmento de caminhões foi o que apresentou tombo maior, com baixa de 47,1% nos volumes, para apenas 74 mil unidades. A produção de ônibus encolheu 34,7%, para 21,4 mil chassis. Já a fabricação de leves teve redução um pouco menor, mas ainda expressiva, de 21,5% para 2,33 milhões de veículos, com 2,01 milhões de automóveis e 314,9 mil comerciais leves.
PROJEÇÕES 2016

RETROCESSO DE 9 ANOS
“Com esta redução, voltamos ao patamar de produção de 2006”, resume Luiz Moan, presidente da Anfavea. A drástica mudança do cenário para a indústria local é reflexo da diminuição do mercado interno em 26,6% em 2015, para 2,56 milhões de unidades. O baque no volume de fabricação de veículos só não foi mais severo por causa da menor participação dos veículos importados nas vendas de carros no Brasil.
Este movimento começou em 2012, como reflexo do Inovar-Auto, que impôs aumento de 30 pontos no IPI de automóveis importados. No ano passado a situação foi acentuada pela valorização do dólar, que deixou os carros trazidos do exterior menos competitivos. Assim, estes modelos responderam por 16,1% da demanda local. Em 2014 este porcentual era de 17,6%. “É o mesmo market share que os importados tinham em 2009”, esclarece Moan.
A indústria encerrou 2015 com o alívio de reduzir o nível de estoques. O volume de veículos armazenado no pátio das fábricas e das concessionárias caiu em dezembro para 271 mil unidades, o que corresponde a 36 dias de vendas. “Esse nível ainda não é o adequado, mas houve redução importante”, destaca Moan. Os estoques chegaram a bater na casa dos 50 dias em alguns meses de 2015.
EMPREGOS ENCOLHEM
A diminuição dos estoques e a previsão de que as vendas se mantenham estáveis não aliviou a pressão sobre os empregos. Ao longo de 2015 foram cortadas 14,7 mil vagas, com diminuição de 10,2% no quadro de funcionários das montadoras no Brasil, para 129,7 mil trabalhadores. Ainda assim, a Anfavea sinaliza que há um excedente de mão de obra. Enquanto o volume de produção caiu ao nível de 2006, o patamar de empregos está similar ao registrado entre 2009 e 2010.
“Isso demonstra a preocupação da indústria em manter os empregos”, aponta Moan. Segundo ele, atualmente as fabricantes de veículos contam com 40,7 mil afastados de suas rotinas normais por meio de layoff e adesão ao PPE, o Programa de Proteção ao Emprego.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:
