
-Veja aqui os dados da Anfavea
Na comparação mensal, houve crescimento de 17,8% na produção em julho na comparação com junho, com 215,1 mil entre veículos leves e pesados. Sobre julho de 2014, no entanto, o resultado é 14,9% menor. “Chama a atenção a queda no segmento de caminhões”, admite Luiz Moan, presidente da Anfavea, ao apontar para o encolhimento de 45,4% na produção de modelos da categoria de janeiro a julho, para apenas 48,2 mil unidades.
A retração também foi grande para as fabricantes de ônibus, de 28,9% para 15,7 mil chassis. Entre os leves, a produção de automóveis retraiu 16% e chegou a 1,21 milhão de unidades. A fabricação de comerciais leves teve queda ainda maior, de 19,2% para 210,3 mil unidades. Com o resultado, a Anfavea sustenta a expectativa de queda de 17,8% na fabricação de veículos no Brasil este ano. A entidade acredita que serão feitos localmente 2,58 milhões de unidades, com 2,46 milhões de leves e 118 mil pesados.
Ao menos por enquanto, a severa queda do mercado interno não tem sido compensada por aumento das exportações. As vendas do Brasil a outros países cresceram 10,7% de janeiro a julho, com 225,3 mil veículos. A associação pretende melhorar esse patamar com ampliação de acordos comerciais e estabelecimento de novas parcerias.
EMPREGO AMEAÇADO
O volume de carros armazenados nos pátios das fábricas e nas concessionárias teve sensível redução de 1,8% para 344,8 mil carros. O volume equivale a 45 dias de vendas, abaixo dos 46 dias registrados no balanço de junho. O nível ainda alto deixa claro que a indústria não se adequou totalmente ao atual patamar de vendas. “Continuamos com excedente de mão de obra”, admite Moan.
No último ano as montadoras reduziram em 9,7% o número de funcionários em seus fábricas brasileiras. Atualmente 135,7 mil pessoas estão empregadas no setor, patamar significativamente superior ao de 2006, ano que teve produção equivalente de janeiro a junho, quando as empresas contavam com 106,3 mil colaboradores.
Dados da Anfavea do fim de julho mostram que 7 mil trabalhadores permaneciam afastados de suas funções nas montadoras por meio de férias coletivas e layoffs, suspensão temporária do contrato de trabalho. Para Moan, a situação pode estimular as companhias a aderirem ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego, anunciado pelo governo federal em julho.
A Anfavea não declara qual é o tamanho do excedente de força de trabalho, mas já mudou o discurso e admite que a crise no setor automotivo não deve se resolver tão rapidamente. “Esperamos melhora a partir do fim do segundo trimestre de 2016”, projeta.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:
