
-Veja aqui os dados da Anfavea
Em janeiro a indústria automotiva já havia acumulado retração importante, de 14%. Ainda assim, a baixa era mais aceitável para o início do ano, período em que as empresas costumam diminuir o ritmo das fábricas e dar férias coletivas aos funcionários. Já o resultado ruim de fevereiro sinaliza contração mais consistente das vendas. O acumulado do primeiro bimestre teve queda de 22% na comparação com igual intervalo de 2014, para apenas 404,9 mil veículos produzidos. O segmento de caminhões puxou a baixa, com retração de expressivos 43,9%, para 16,2 mil unidades.
“Há grande necessidade de ajuste dos estoques”, reconhece Luiz Moan, presidente da Anfavea. O número de carros armazenados chegou a 329 mil unidades no mês passado, 4 mil a mais do que em janeiro. O volume é o suficiente para 50 dias de vendas, considerando a baixa média diária de emplacamentos de fevereiro, que ficou em 10,9 mil unidades/dia. A exportação de veículos também não foi capaz de dar vazão aos estoques elevados: as vendas internacionais caíram 7,2% no bimestre, apesar de terem crescido em fevereiro na comparação com o fraco mês anterior, para 31,2 mil unidades.
PRODUÇÃO DE VEÍCULOS

Fonte: Anfavea
EMPREGOS
Diante do cenário de contração, o nível de empregos nas montadoras diminuiu 1,3% no mês passado, para 142,3 mil postos de trabalho. Moan enfatiza que, ainda que a produção tenha voltado ao patamar de seis anos atrás, o número de funcionários permanece bastante superior ao registrado em fevereiro de 2009, quando as fábricas de veículos empregavam 124 mil pessoas. “Isso mostra o esforço da nossa indústria para manter os postos de trabalho mesmo em momento de queda”, enfatiza.
Segundo o dirigente, é nítido que o setor vem administrando excedente de mão de obra e cada montadora precisará decidir por quanto tempo conseguirá manter esta sobra caso o mercado continue tão fraco. Ainda assim, ele lembra que fazer cortes é sempre a última opção. “Os funcionários do setor são altamente qualificados, fruto de investimento em treinamento, e as empresas não querem perder”, explica. Moan afirma que, por enquanto, as montadoras têm buscado alternativas para reduzir o ritmo das fábricas sem demitir colaboradores, como férias e layoffs, suspensão temporária dos contratos de trabalho.
Para criar uma saída para situações como esta a Anfavea trabalha com o governo e outros setores industriais na criação do Programa de Proteção ao Emprego (PPE). O objetivo é desenvolver meios para que as empresas mantenham empregos em períodos de retração da demanda, porém sem tantos custos e encargos. Uma das sugestões é ampliar o prazo permitido para layoffs, que atualmente é de cinco meses.
REDUÇÃO DAS EXPECTATIVAS
Depois de anotar nova queda em fevereiro, a Anfavea deixou de lado o otimismo com os resultados deste ano e admitiu que a performance da indústria em 2015 ficará abaixo do que era esperado até então. “Nossas projeções estão em revisão. Vamos avaliar como será o mês de março e no início de abril apresentaremos novas expectativas”, anunciou Moan. Ele reconhece que as novas projeções devem ser significativamente menores do que as divulgadas no início do ano.
Em janeiro a entidade apresentou panorama de que a produção de veículos cresceria 4,1% em 2015 na comparação com 2014, para total de 3,14 milhões de unidades. ”O quadro se alterou completamente”, analisa Moan. A redução brusca do ritmo das fábricas acontece justamente no momento em que a o País conta com uma série de novas linhas de montagem entrando em produção.
Em 2014 foram inauguradas três plantas: Nissan em Resende (RJ), Chery em Jacareí (SP) e BMW em Araquari (SC). Já este ano marca o início da produção da Fiat Chrysler em Goiana (PE). Está previsto ainda o princípio da operação da linha de montagem da Audi e do Volkswagen Golf em São José dos Pinhais (PR). Como resultado destes investimentos, a Anfavea estima que a capacidade produtiva da indústria nacional esteja entre 4,5 milhões e 4,6 milhões de veículos por ano. Moan evita falar sobre o aumento da capacidade ociosa, mas, se o mercado seguir no mesmo ritmo, boa parte do potencial produtivo brasileiro deve ficar inutilizado em 2015.
Assista à entrevista com Luiz Moan, presidente da Anfavea:
