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Giovanna Riato, AB
O mês passado foi o melhor julho da história em vendas e produção do setor automotivo. A fabricação de veículos acelerou 3,9% na comparação com junho, para 307,1 mil unidades. O volume também é 5,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2010. Com isso, as montadoras instaladas no Brasil já fabricaram 2,01 milhões de unidades no acumulado dos primeiros sete meses de 2011, com expansão de 4,3% sobre o mesmo período do ano anterior.
Os dados foram divulgados pela Anfavea, associação dos fabricantes, nesta quinta-feira, 4. A maior aceleração foi registrada no segmento de caminhões, de 11,9% entre janeiro e junho deste ano para 106,1 mil unidades. A montagem de ônibus também cresceu em ritmo superior ao do setor, com expansão de 6,4% para 24,6 mil chassis. Já o segmento de veículos leves teve avanço menor, de 3,8%, com 1,80 milhão.
Vendas
O licenciamento de veículos novos cresceu tímidos 0,6% entre junho e julho, com 306,2 mil unidades. No reajuste anual o avanço foi de 1,3%. Somadas as vendas de janeiro a julho, o crescimento foi de 8,6%, com 2,04 milhão de unidades. Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, acredita que o resultado do mês aponta para uma nova tendência. “A curva se ajustou em um nível menor. Crescemos 10% no primeiro semestre e agora já reduzimos o ritmo”, observa.
O esfriamento das vendas acontece meses após o governo ter anunciado medidas macroprudenciais com o objetivo de arrefecer o consumo e, consequentemente, a inflação. Um dos efeitos dessa nova postura foi a redução da expansão do crédito. Levantamento divulgado na quarta-feira, 4, pela Anef, entidade que reúne as empresas financeiras das montadoras, mostra que os financiamentos para compra de veículos tiveram alta de 4,8% este ano, avanço inferior ao do sistema financeiro nacional, que cresceu 7,5%.
A Anfavea indica que houve aumento de 2,7 pontos percentuais nos juros entre junho do ano passado e o de 2011. A inadimplência cresceu de 3,5% em 2010 para 3,8% este ano mas, apesar disso, ainda é mais baixa no setor automotivo do que em outros segmentos da economia.
Expectativas
Com o crescimento desacelerando, a Anfavea decidiu não mexer nas projeções para este ano. A entidade mantém a aposta de que o mercado interno vai crescer 5%, para 3,69 milhões de veículos, e a produção avançar 1,1%, para 3,42 milhões de unidades. “Existe uma conjuntura internacional desfavorável e ainda não sabemos qual será o impacto disso. Preferimos continuar com as mesmas expectativas e, se for o caso, fazer uma revisão mais para frente”, explica Belini. O dirigente da entidade admite, no entanto, que existe a possibilidade de o mercado crescer em ritmo superior. “Já avançamos 8,6% até agora, não é tão difícil superar 5% este ano”, afirma.
Confira aqui o balanço completo da Anfavea
Assista à entrevista exclusiva com Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, que fala das expectativas para os próximos meses:
