
A alta das vendas de veículos no Brasil sustentou quase 80% da produção em 2018 no País e foi responsável pelo crescimento anual de 6,7% no ritmo das fábricas, que produziram 2,88 milhões de unidades. Por causa da retração das exportações, ainda não foi no ano passado que a indústria conseguiu superar a marca de 3 milhões de unidades produzidas.
A Anfavea, associação nacional dos fabricantes, espera que a barreira de 3 milhões seja superada este ano. A entidade estima que em 2019 vãos ser produzidos 3,14 milhões de veículos leves e pesados no País, o que significará alta de 9% sobre 2018, segundo projeções apresentadas na terça-feira, 8.
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Antonio Megale, presidente da Anfavea, indicou que em dezembro muitos fabricantes desaceleraram suas linhas de produção ao conceder férias coletivas de fim de ano e ajustar estoques, já contando com a retração das exportações para a Argentina e se preparando para o ritmo sazonalmente mais lento dos dois primeiros meses do ano. Com isso, foram produzidos apenas 177,7 mil veículos em dezembro, em baixa de 27,4% sobre novembro e recuo de 16,8% ante o mesmo mês de 2017.
“A produção só não passou de 3 milhões por causa da retração do mercado argentino. Se não fosse isso, teríamos superado nossas expectativas”, avalia Megale.
Segundo ele, os estoques que somavam 255,1 mil veículos nos pátios das fábricas e concessionárias, equivalentes a 33 dias de vendas, estão “em nível considerado razoável”, o que descarta medidas de contenção da produção por enquanto.
O nível de emprego nas montadoras terminou o ano com 130,4 mil pessoas empregadas na indústria, número quase estável em relação a 2017, com leve expansão de 1,7%. Contudo, houve corte de 803 postos de trabalho (-0,6%) entre novembro e dezembro. Segundo Megale, não houve demissão em massa em nenhuma associada da Anfavea, o número foi diluído entre várias empresas. “É preciso lembrar que os fabricantes estão mantendo o mesmo nível de empregados mesmo com o aumento da automação, o que é positivo”, disse.
Ainda de acordo com o presidente da Anfavea, não há mais trabalhadores da indústria em regime de redução de jornada e salários (PSE) e no fim de 2018 o número de funcionários em afastamento temporário (layoff) caiu de 724 em novembro para 531 em dezembro.