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Produção paulista despenca 287 mil veículos

Quem apostou no vigor da indústria automotiva paulista em 2011 levará um duplo susto ao receber o próximo Anuário da Indústria Automobilística que a Anfavea estará distribuindo até o fim do mês. Segundo dados da publicação, no ano passado o Estado de São Paulo perdeu 5,6 pontos porcentuais de participação no ranking da produção nacional e montou 287.620 unidades a menos do que em 2010 (incluindo unidades desmontadas, CKD). Foi um tombo e tanto, especialmente quando se imaginava que o País iria deslanchar em direção ao marco de 4 milhões de autoveículos montados localmente.
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paulo

18 mai 2012

6 minutos de leitura

Não é difícil encontrar os motivos para esse desempenho negativo, com o Estado carro-chefe da manufatura derrapando feio e perdendo participação para os demais. De um lado está a invasão de carros estrangeiros, que empurrou para baixo a velocidade das linhas de montagem brasileiras. Em 2010 o País produziu 3.646.548 veículos (incluindo CKD). Já em 2011 houve recuo para 3.432.616 unidades (menos 5,87%). Dados da Anfavea apontam que a participação dos importados no licenciamento no País passou de 15,6% em 2009 (488,9 mil unidades) para 18,8% em 2010 (660,1 mil unidades) e 23,6% em 2011 (858 mil unidades).

QUEDA PAULISTA

O Estado de São Paulo, que havia montado 1.743.049 unidades em 2010, no ano passado fabricou apenas 1.455.429 veículos (com CKD). A queda em território paulista foi muito mais significativa do que a nacional: 16,5%. Uma leitura dos licenciamentos registrados nos dois últimos anos dá uma pista do que se passou. A General Motors emplacou pouco mais de 561 mil unidades em 2010, mas 529.271 unidades em 2011, o que seria reflexo da mudança nas linhas de veículos produzidos em São Paulo nas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos. A Volkswagen (604.325 emplacamentos em 2010 e 591.038 mil em 2011) vendeu menos dos Gol, Polo e Voyage fabricados em São Bernardo do Campo e Taubaté. É preciso lembrar, ainda, que Honda e Toyota, que têm fábrica em Sumaré e Indaiatuba, respectivamente, sofreram os efeitos do terremoto e tsunami no Japão, que causou falta de peças importadas e parou a produção.

Esse quadro, no entanto, pode mudar no curto prazo com a inauguração de fábricas em território paulista: da Toyota em Sorocaba, com investimento de US$ 600 milhões para fazer 70 mil unidades/ano; da Hyundai em Piracicaba (US$ 600 milhões, 150 mil unidades/ano); e Chery em Jacareí (US$ 400 milhões, até 150 mil unidades/ano).

AVANÇO REGIONAL

Produção

Enquanto São Paulo recuou, os demais polos automotivos avançaram (veja gráficos acima), e de forma expressiva. Goiás saltou de 1,7%, em 2010, para 2,3% em 2011, graças ao bom desempenho da CAOA Hyundai (Anápolis), que vendeu bem o Tucson nacional, o comercial leve HR e começou a emplacar o caminhão médio HB. Houve também sinais de grande atividade na Mitsubishi, que investe R$ 1 bilhão na ampliação da fábrica de Catalão, com nova linha de motores e novos produtos, como o Pajero Dakar, a picape L200 e o Lancer. Não muito distante, em Itumbiara, a Suzuki trabalha em uma operação menor (R$ 100 milhões), aproveitando sinergias com a Mitsubishi, ainda não totalmente conhecidas, para produzir o jipinho 4×4 Jimny.

Ainda solitária em Camaçari, na Bahia, a Ford chegou a representar 6,5% da produção nacional em 2009, mas recuou para 5,7% em 2010 e para 5,6% em 2011, quando tocava os planos para uma retomada ao completar dez anos lá em 2012. Agora a empresa promete concluir pesados investimentos para modernização e pretende elevar a capacidade de produção para 300 mil unidades/ano. O novo EcoSport deve dar nova vida à fábrica baiana, que ganhou uma linha de montagem de motores e vai produzir o novo Ka. No fim de 2013, ou em 2014, a Ford vai ganhar a companhia da JAC Motors em Camaçari.

Enquanto o polo do Rio Grande do Sul respondia por mero 0,2% da produção em 1990 com a Agrale, saltou para 6,9% em 2009 com a presença da GM e da International. Em 2011, estabilizou-se nos 6,8% com as mesmas empresas fabricantes. A operação gaúcha da GM está em fase de renovação, com o lançamento do projeto Onix, que substituirá o Celta e o Prisma.

O polo paranaense mereceu destaque em 2011. A Volkswagen passou a montar o SpaceFox, a Volvo entrou em alto astral com seus pesados e semipesados, mas foi a Renault a estrela com o Duster e o Sandero. A Nissan contribuiu com a Frontier. Tudo somado, o Paraná cresceu 1,7 ponto porcentual no cenário e representou nada menos que 13,3% da produção nacional (foram 11,6% em 2010).

Os mineiros também subiram com o Grupo Fiat, chegando aos 23% de participação no ranking da produção, ante os 21,6% de 2010, o que consolida o Estado como segundo maior polo automotivo do País. O responsável pela ascensão foi o novo Uno, claro, porque o novo Palio não teve tempo em 2011 de aparecer forte nas estatísticas. Minas Gerais tem ainda a presença da Iveco e, em 2012, a Mercedes-Benz reformulou sua fábrica de Juiz de Fora para montar caminhões.

RIO DE JANEIRO

A Nissan dá passo importante ao aplicar US$ 1,5 bilhão em nova fábrica em Resende, que dará expressão significativa no cenário automotivo nacional ao polo automotivo do Rio de Janeiro, que em 2011 registrou participação de 6,7% (ante 6% em 2010).

No ano passado, a PSA Peugeot Citroën, em Porto Real, comemorou o sucesso do C3 Picasso e os demais veículos da marca francesa não fizeram feio. A vizinha MAN, em Resende, ganhou fôlego com seus caminhões, embalada pela venda de veículos Euro 3, e há investimentos significativos a caminho.

Em outubro de 2011, Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, anunciou o que chamou de “maior programa de investimento em seus 30 anos de história na região”. O plano envolve o aporte de € 400 milhões de 2012 a 2016 no desenvolvimento de produtos e expansão da capacidade de produção da fábrica de Resende (RJ), onde são produzidos caminhões Volkswagen e já começam a ser feitos os da marca MAN também.

É possível que, tão logo seja superado o período de baixa do mercado, a empresa anuncie a construção de uma nova fábrica e o lançamento de uma família de veículos leves, em projeto conhecido como Phevos. Enquanto isso, os parceiros do consórcio modular darão andamento ao programa do parque de fornecedores, que terá na primeira fase a Meritor, a Suspensys e a Maxion.

MAHINDRA DE VOLTA

O Amazonas reaparece no mapa da produção. O Renavam registra que a Mahindra emplacou 38 picapes de cabine simples, 16 cabines duplas e 20 utilitários esportivos em 2011. Até abril a marca avançou para 54 cabines simples, 52 duplas e 34 utilitários esportivos. Nada mau para quem estava simplesmente desaparecida do cenário da manufatura.