
A consulta resultou em um acordo: a compra de 70% da Produmaster pela Prime Polymer e a criação da joint venture Produmaster Advanced Composites, com foco no fornecimento para as montadoras japonesas a partir de 2013. O valor do negócio não foi divulgado.
Com o negócio, a Prime Polymer utilizará as duas unidades da Produmaster localizadas em Camaçari (BA) e Mauá (SP) para começar a fornecer compostos de polipropileno para compor as peças plásticas que vão equipar o Toyota Etios, que será montado na nova fábrica em Sorocaba (SP) (leia aqui) e os modelos da Nissan, em sua nova unidade que será erguida em Resende (RJ). O fornecimento também deve ser estendido para a Mitsubishi, com fábrica em Catalão (GO), e Honda em Sumaré (SP) (leia aqui).
Segundo o presidente da joint venture, Vicente Freitas, o negócio coincidiu com o momento em que a Produmaster planejava expandir seus negócios para o exterior. Ele explica que no mercado em que atua, as montadoras exigem projetos de escala global. “Antes, perdíamos mercado, inclusive no Brasil, porque os grandes fabricantes de polímeros já possuíam esse pré-requisito.”
Atualmente, a empresa utiliza 50% de sua capacidade total, estimada em 55 mil toneladas por ano. O plano é atingir 80% da capacidade em quatro anos. Isso porque, além do fornecimento para as montadoras japonesas, a empresa planeja mais que dobrar o fornecimento para a Ford, que é abastecida pela unidade de Camaçari (BA), hoje com capacidade para 17 mil toneladas de PP por ano. Segundo o diretor da unidade do Nordeste, Alberto de Boni Neto, a planta também deve estender seu fornecimento para as peças que serão montadas pela Fiat na nova fábrica de Goiana (PE).
Já a planta de São Paulo recebeu investimento no ano passado para mudar-se do Ipiranga para Mauá, o que dobrou sua capacidade para 38 mil toneladas ao ano. Ambas as unidades (Camaçari e Mauá) passam por processo de adequação para receber novas tecnologias de produção da Prime Polymer.
Com o Brasil, a Prime Polymer soma oito fábricas no mundo (Alemanha, China, Estados Unidos, Índia, Japão, México e Tailândia) e capacidade produtiva total de 890 mil toneladas por ano.
CRESCIMENTO
Ao longo dos anos, a Produmaster registrou crescimento médio de 25% ao ano no setor automotivo. No entanto, a partir do ano passado, Freitas conta que a entrada de volumes cada vez maiores de produtos importados acirrou o mercado em que a empresa atua. No período, a Produmaster registrou faturamento de R$ 74 milhões na planta de Mauá e R$ 28 milhões em Camaçari. Neste ano, o desempenho dependerá das oscilações do mercado automotivo.
“Em 2012, tivemos uma queda dos volumes de produção. Se a situação melhorar no segundo semestre, poderemos fechar o ano em linha com 2011. Com a redução do IPI, a demanda por compostos voltou a subir. A medida do governo já começou a surtir efeito na cadeia”, disse.
Ele acrescenta que a Produmaster conquistou fatia de 11% de participação no mercado automotivo e que a meta é triplicar esse índice nos próximos quatro anos.