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Produtores de lítio têm risco de não atender demanda de veículos elétricos

Em meio à demanda superior a oferta, empresas investem em mais fábricas
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Redação AB

26 jun 2023

3 minutos de leitura

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Os produtores de lítio estão cada vez mais preocupados em como os atrasos nas licenças de minas, a escassez de mão de obra e a inflação podem prejudicar sua capacidade de fornecer metal suficiente para atender à crescente demanda por veículos elétricos em todo o mundo.

O lítio se tornou um dos metais mais buscados globalmente em decorrência dos planos agressivos de eletrificação da indústria automotiva. 

“Você pode acabar em uma situação de crise em que as empresas de baterias não têm a segurança da matéria-prima (de lítio). “Há uma desconexão entre o pânico que estamos vendo aqui e a atividade frenética de tentar garantir o fornecimento dentro do setor”, afirmou Stu Crow, presidente da mineradora  Lake Resources.


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Atraso na produção de lítio

Na semana passada, a Lake Resources anunciou um atraso na entrega de sua produção de lítio na Argentina pela primeira vez em três anos. A empresa citou como justificativa o fornecimento local de energia e problemas de logística.

A Albemarle, maior produtora global de lítio, tem crescido rapidamente nas Américas, na Ásia e na Austrália. A previsão da mineradora é que a demanda mundial por lítio exceda as 500.000 toneladas métricas em 2030.

Até 2020, haviam 45 minas de lítio em operação no mundo, com 11 previstas para abrir este ano e sete em 2024, de acordo com a Fastmarkets. O ritmo está abaixo do que os consultores do setor dizem ser necessário para garantir o abastecimento global adequado.

As projeções indicam que mesmo que mais minas de lítio sejam construídas, não há instalações suficientes para produzir tipos especializados de metal para baterias. As montadoras podem ser forçadas a aceitar lítio de qualidade inferior, o que diminui o alcance de uma bateria de EV, segundo executivos.

“Há uma grande diferença entre o lítio que sai do solo e o lítio que vai para a bateria”, disse Sarah Maryssael, da Livent, fornecedora da Tesla.


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Fabricantes dos EUA prometem US $ 11,3 bilhões para fosfato de ferro e lítio

Em meio às projeções nada otimistas, os investimentos das fabricantes em fosfato de ferro e lítio para o desenvolvimento de baterias para veículos elétricos continua a subir nos Estados Unidos.

Seis empresas prometeram investir US$ 11,3 bilhões em instalações para a matéria-prima de baterias.  Uma delas, a Ford, pretende abrir uma fábrica de US$ 3, 5 bilhões em 2026 na cidade de Marshall, Michigan, com tecnlogia licenciada da chinesa CATL.

A sul-coreana LG planeja acrescentar a produção de lítio ainda este ano à sua fábrica de células de bateria em Holland, Michigan, como parte de uma expansão de US$ 1,7 bilhão.

O Grupo ICL de Israel é outro exemplo, que anunciou a construção de uma fábrica de materiais para baterias de US$ 400 milhões perto de St Louis, Missouri, prevista para 2024.