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Projeto prevê 25% das ruas de Nova York só para bikes e pedestres

Recentemente, falamos no Mobility Now sobre como ocorre uma mudança de mentalidade nos planejamentos urbanos em todo o mundo: em vez de terem o carro como protagonista, as metrópoles agora estão se voltando para as pessoas. Isso vai significar, no curto, médio e longo prazos, menos vias para automóveis e mais ciclovias, áreas caminháveis, parques e espaços públicos de lazer.
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victor

12 mai 2022

4 minutos de leitura

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É dentro dessa mentalidade que surgiu o projeto NYC 25×25, criado por uma “coalizão” de mais de 200 entidades civis, muitas delas ligadas ao ambientalismo, à segurança e à melhoria de vida nas comunidades de Nova York. A proposta é simples: transformar 25% do espaço designado às ruas em Nova York em áreas exclusivas para pedestres e/ou ciclistas até 2025. 

As imagens deste texto foram feitas pelo WXY Studio a pedido do NYC 25×25 e ilustram como seria o projeto na prática, remodelando vias arteriais, comerciais e residenciais.

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De acordo com o grupo, 75% das ruas de Nova York são dedicadas a carros, sendo 54% para as viagens e 21% para estacionamento gratuito. Menos de 21% do espaço é dedicado a calçadas. Apesar disso, a maioria dos novaiorquinos usa outros meios de locomoção, como metrô, bicicleta e caminhada – 75% das viagens são feitas dessas formas. Além disso, 97% da população usa caminhada ou bicicleta para fazer a última milha na ida ou volta do transporte público.

O contraste é claro: se 75% das viagens são feitas sem carros, por que 75% das vias são para eles? O grupo defende que realizar a conversão das ruas em espaços para pedestres e ciclistas teria impactos positivos em meio ambiente, segurança, qualidade de vida, saúde pública e geração de empregos. Segundo dados apresentados no site do projeto, a cada US$ 1 milhão gasto em infraestrutura para pedestres e ciclistas, são gerados 47% a mais de empregos do que se o valor fosse voltado a vias para carros.

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Há uma pergunta óbvia: diminuir as vias não vai causar mais congestionamentos? A resposta do grupo é “não” devido a um fenômeno bastante conhecido dos planejadores urbanos: a demanda induzida. Dentro desse fenômeno, a percepção de que há mais espaço disponível faz as pessoas quererem usar mais seus carros e vice-versa. É por isso que ampliar grandes avenidas não reduz o tráfego – a maior oferta de vias causa um aumento proporcional da demanda e isso vai ser sempre assim.

Portanto, diminuir a quantidade de vias disponíveis vai também diminuir a quantidade de carros nelas. Para comprovar isso, o grupo argumenta que recentes conversões de faixas em exclusivas para ônibus ou em ciclovias não afetaram o trânsito da cidade.

E como pagar por tudo isso? O grupo defende que o investimento em infraestrutura seria compensado financeiramente com a criação de novos empregos, com a diminuição do valor que a cidade gasta com sinistros (atualmente US$ 4 bilhões por ano) e com uma taxação mais justa das vagas de estacionamento na rua por meio de parquímetros.

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O projeto é apoiado pelo atual prefeito, Eric Adams, que assumiu o cargo em 2022 e ganhou as manchetes dos jornais ao ir pedalando para o trabalho. Uma de suas promessas de campanha é tornar a cidade mais verde. No mês passado, ele iniciou um plano de US$ 900 milhões para melhorar ciclovias e a infraestrutura de ônibus.

“Estas são as nossas ruas, e são para andar de transporte público, andar de skate, caminhar”, disse ele quando revelou o plano. Pelo jeito, o projeto do NYC 25×25 está alinhado com sua visão para a cidade.