
A Proteste já trabalhava na campanha Carro sob Controle, que pede a obrigatoriedade do ESC (leia aqui). Com o documento enviado à autoridade, no entanto, as entidades batem de frente com a indústria de veículos. A AEA, Associação de Engenharia Automotiva, que reúne montadoras, fabricantes de autopeças e academia, defendeu recentemente que o setor precisa de prazo de cinco a sete anos para que a tecnologia chegue a 100% dos carros vendidos localmente (leia aqui). Além disso, a organização apontou que o sistema teria custo entre R$ 1 mil e R$ 2 mil.
A Proteste e a Latin NCAP negam que o dispositivo seja caro e discordam da necessidade de prazo tão longo. Segundo as entidades, o custo do ESC é de apenas US$ 50 e, portanto, não prejudicaria o consumidor. Dessa maneira, as instituições defendem que a tecnologia pode ser implementada mais rapidamente para reduzir o número de mortes no trânsito. O ESC corrige a trajetória do carro em derrapagens ou desvios repentinos, estabilizando o veículo em situações de risco.
Em 2014 o Brasil atingiu índice de 19,9 mortos em acidentes de trânsito para cada 100 mil habitantes. A meta é reduzir esse número para 11 em cada 100 mil. “Por respeito ao consumidor brasileiro, as montadoras não deveriam discriminar os carros vendidos no país e aqueles vendidos na Europa ou na América do Norte, principalmente, no quesito segurança – a vida humana tem o mesmo valor, independentemente do país onde se reside”, apontaram as entidades em comunicado.
A AEA estima que apenas entre 5% e 10% dos carros novos vendidos no Brasil sejam equipados com ESC. O modelo mais acessível com a tecnologia é o Ford Ka hatch 1.0 SEL, que tem preço sugerido de R$ 45.590. A Proteste e o Latin NCAP enfatizam, no entanto, que o automóvel é um ponto fora da curva. Em geral, o item começa a aparecer apenas em carros na faixa acima dos R$ 70 mil.