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Protestos e mais opções de carros elevam estoque

Apesar do recorde de vendas no primeiro semestre deste ano, houve uma paradoxal elevação dos estoques nos pátios de montadoras e nas concessionárias. Segundo dados divulgados pela Anfavea, a associação dos fabricantes, na quinta-feira, 4, o volume de veículos fabricados e não vendidos chegou a 415,3 mil unidades no fim de junho, aumento de 7,8% sobre os 385,3 mil de maio. Por isso, o número de dias úteis de vendas em estoque de um mês para outro passou de 36 para 39. A grande concentração foi nas lojas, que tinham 290,4 mil veículos estocados em maio e 321,7 mil em junho, enquanto nas fábricas esse volume até baixou um pouco, de 94,9 mil para 93,6 mil.
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pedro

04 jul 2013

3 minutos de leitura

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“Esse é um fator importante de desempenho para nós, mas muito afetado por dois aspectos nesse período. O primeiro foi a onda de protestos e manifestações por todo o País, que reduziram o número de compradores nas concessionárias, por dificuldade de acesso. A outra razão é o grande número de modelos disponíveis no mercado hoje, que faz aumentar os níveis de estoque”, explicou Luiz Moan Yabiku Jr., presidente da Anfavea.

Moan mostrou que o número de opções de veículos disponíveis no mercado brasileiro cresceu expressivos 18% em apenas dois meses. “Em abril nós contabilizamos 1.754 modelos e versões à venda. Agora refizemos esta conta e chegamos a 2.077 no mês de junho passado”, revelou o dirigente. Segundo ele, essa expansão de oferta de produtos tem efeito natural e imediato sobre o estoque, especialmente para as concessionárias que precisam ter, no mínimo, um modelo de cada para exposição e possivelmente outro para pronta entrega. Assim, quanto maior o volume de versões, maior será o número de carros nas lojas.

Para este mês também pode haver problema de abastecimento nas concessionárias, caso as manifestações continuem. “Já tivemos perda de produção por falta de componentes em algumas fábricas nestes três primeiros dias de julho, por causa da paralisação dos caminhoneiros”, disse Moan. “Mas esperamos recuperar o ritmo até o fim do mês.”

RECORDE E QUEDA

Com quase 1,8 milhão de veículos emplacados, o primeiro semestre de 2013 foi encerrado como o melhor da história da indústria automobilística no País, com crescimento de 4,8% sobre o mesmo período do ano passado – e superando o recorde semestral anterior de 2011. A média diária de vendas teve evolução ainda maior, com expansão de 6,5% sobre os seis primeiros meses de 2012.

Foi o segundo melhor junho de todos os tempos, com 316,2 mil emplacamentos. O avanço na comparação mensal sobre maio é bem mais modesto, de 0,8%, mas contra igual mês de 2012 (justamente o melhor junho da história) houve queda de 9,8%. “Essa redução já era esperada, pois aconteceu uma grande elevação das vendas logo após a redução do IPI em junho. Por isso já esperamos quedas também na comparação com julho e agosto, que foram meses muito fortes em 2012”, explicou Moan.

Apesar da perspectiva de desaceleração nos próximos meses, Moan avalia que o ano corre dentro das previsões. “Os números expressivos do primeiro semestre vão de encontro às nossas projeções”, disse. A Anfavea estima para este ano vendas totais de até 3,97 milhões de veículos, com crescimento de 4,5% sobre 2012. O presidente da entidade garante que esses números para o mercado doméstico estão mantidos.

A participação dos veículos importados nas vendas totais, que chegou ao pico de 27% em dezembro de 2011, continua a cair após a adoção de barreiras comerciais. Os estrangeiros representaram 20,2% dos emplacamentos no primeiro semestre deste ano e 19,2% em junho isoladamente. “Calculamos que entre 40 mil e 50 mil modelos de produção nacional entraram a mais no mercado este ano em substituição aos importados”, destacou Moan.

Veja aqui a Carta da Anfavea e aqui a apresentação dos números de desempenho de junho.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Luiz Moan para a ABTV: