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Próximos destinos

Os desafios que enfrentamos no Brasil são inúmeros. Carga tributária elevada, inflação em alta e economia estagnada. Não era diferente no passado. Era bem pior.
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Redação AB

28 nov 2014

3 minutos de leitura

O que muda, e muito, é a velocidade com a qual temos acesso a informação e as comparações quase imediatas que podemos estabelecer com outros lugares no planeta. Quem não conhece uma família que não pense em migrar para outro país e ter um padrão de vida melhor a menor custo? Minhas filhas têm esse projeto de vida. Querem morar nos Estados Unidos. Por ter trabalhado fora do Brasil por 10 anos (México, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e Alemanha) entendo bem o dilema de viver fora do país de origem. Bônus e ônus, como qualquer lugar.

Não tenho saudades dos dias quentes e secos de Chihuahua, mas das deliciosas comidas e festas, da cordialidade do povo, dos amigos queridos. Não tenho saudades dos dias de inverno em que a neve cinza e suja acumulava-se nas ruas de Filadélfia mas do outono dourado onde plátanos em tons que variavam do amarelo ao vermelho ornamentavam a paisagem. Da Espanha tenho saudade de quase tudo, um lugar especial onde voltei e voltarei varias vezes. Não tenho saudades dos dias cinzas e chuvosos de Londres, mas da segurança de andar pelas ruas despreocupadamente. De Colônia, lembro-me dos deliciosos dias de verão, em que podia andar a beira do Reno e encontrar deliciosos lugares para comer e tomar uma cervejinha com os amigos, mas lembro dos dias frios em que, sob garoa fina e gelada, tinha de andar encapotado. Em todos esses países fui muito bem recebido, aprendi muito, fiz amigos, deixei minha contribuição e expandi meus horizontes.

A experiência de vida para a família foi fantástica nesses dez anos. Por isso não me oponho ao sonho de minhas filhas de morar fora do país. Claro que pela idade delas, 26 e 21, penso nos desdobramentos, relacionamentos, casamentos, netos em lugares distantes. Mas daí me lembro que também fui para o México com dois anos de casado, com 25 anos, e só coisas boas aconteceram. Naquela época, passagens de avião custavam bem mais caro e a sensação de distância era muito maior. O mundo está mais pasteurizado. Encontra-se uma grande semelhança nos padrões de consumo da sociedade. No padrão cultural, mistura-se o global ao local e, não importa onde estejamos, sentimos que levamos conosco a capacidade de transpor barreiras, sejam elas físicas ou intelectuais, de uma maneira mais segura. A internet é a maior responsável por isso.

Semana passada vi no Youtube, um vídeo sobre São Paulo, feito por um norte-americano. Interessante o olhar externo sobre nossa megalópole. Se tiver curiosidade confira aqui.

Dessa heterogeneidade sairá a solução para o amanhã. Da troca de experiências entre os jovens, que acham que é tudo novo, e dos mais vividos, que podem achar que é tudo de novo, surgirá um estilo de vida em que o lugar onde vivermos estará sintonizado ao momento espiritual que atravessamos. Aqui ou no exterior, o que importará no fim do dia é que tenhamos nossas necessidades básicas satisfeitas e possamos, com liberdade, expressar nossas convicções e crenças.

Nosso Brasil está longe de ser o melhor país para viver, mas evolui ano após ano. Por estarmos inseridos no contexto temos dificuldade de perceber essa evolução. Quem sabe agora com esse exemplo da Petrobras, possamos mudar a maneira com qual fazemos negócios desde o império. Temos o direito de sonhar com um país melhor, mais justo, e que valorize e acolha seu povo. Não interessa onde você vive. É dentro de você que está o destino a ser alcançado.