
De acordo com os testes da montadora, os protótipos Hybrid Air reduziram em 45% o consumo de combustível em ciclo urbano quando comparados com modelos iguais a gasolina. O Citroën C3 VTi 83 a ser mostrado em Genebra e equipado com a tecnologia chegou ao recorde de 2,9 litros de gasolina a cada 100 quilômetros rodados, ou cerca de 33 km/l, com emissão de 69 gramas de CO2 por quilômetro.
A tecnologia híbrida da PSA, desenvolvida em conjunto com o maior fornecedor mundial de sistemas automotivos, a Robert Bosch, apresenta resultados similares ao de carros híbridos elétricos, mas com ganho competitivo nada desprezível: tira do caminho o alto custo e peso das baterias. Outra vantagem do sistema é a preservação do espaço interno, por isso pode ser usado em modelos compactos, dos segmentos B e C, além de comerciais leves. Com preço mais acessível, a PSA aposta em alcance global, com a oferta de híbridos gasolina-ar em todos os mercados onde atua – o que poderá incluir o Brasil, portanto.
INOVAÇÃO
O sistema Hybrid Air combina o uso de um motor a gasolina de três cilindros da nova família Pure Tech da PSA (15% mais potente e 25% mais econômico do que a geração anterior), um compressor com cilindro de ar comprimido instalado de forma longitudinal no centro do carro, uma bomba hidráulica de alta pressão e transmissão automática. Tudo é integrado por uma central de gerenciamento eletrônico, que escolhe automaticamente o mais eficiente dos três modos de operação: usando apenas a força do ar comprimido que aciona motores hidráulicos (sem emissões, portanto), só o motor a combustão ou, ainda, os dois juntos.
O protótipo Hybrid Air também é equipado com o Start&Stop, que desliga automaticamente o motor quando o veículo está parado. Na partida, é usada somente a força do ar-comprimido para mover o carro até a velocidade de 70 km/h, mas o motor a gasolina pode entrar em funcionamento antes disso, sempre que o ar armazenado no cilindro se esgota. O reservatório também é reabastecido nas frenagens e desacelerações por um sistema de recuperação de energia cinética.
Segundo informa a PSA, o modo emissão zero, em que o automóvel é impulsionado só pela força do ar comprimido, é usado em 60% a 80% do tempo no ciclo urbano. Na estrada, em velocidades maiores, o motor a combustão assume 100% da propulsão. A combinação das duas forças acontece nas retomadas e acelerações mais fortes. A potência máxima do protótipo desenvolvido é de 122 cavalos.
A tecnologia não é exatamente nova, já foi testada em setores como o aeronáutico, mas a PSA é pioneira em usar o sistema em um carro. A fabricante informa ter registrado mais de 80 patentes no desenvolvimento de diversos dispositivos para fazer funcionar o Hybrid Air. A própria Citroën usou o mesmo princípio para lançar, em 1955, a linha DS que usava ar comprimido para acionar sistemas hidráulicos que controlavam suspensão, direção, frenagem e câmbio semiautomático. Em 1958, a marca desenvolveu um protótipo do popular 2CV que usava ar pressurizado para acionar força hidráulica de auxílio ao motor a combustão interna. O projeto foi engavetado por falta de mercado, que surge 55 depois, impulsionado pela necessidade de redução de emissões de gases de efeito estufa, com legislações restritivas adotadas por diversos países no mundo.
Assista abaixo o filme que mostra como funciona o sistema Hybrid Air: