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PSA Peugeot Citroën ainda enfrenta o desafio de localizar

Em 2015 a PSA Peugeot Citroën obteve pela primeira vez lucro na operação da América Latina (leia aqui). O bom resultado, no entanto, não é o suficiente para que Carlos Gomes, presidente da companhia na região, tire uma folga. “É complexo. Cometemos erros no passado e ainda há muita coisa para fazer”, admite. O executivo acredita que seu principal desafio é aumentar o conteúdo local dos carros produzidos na região, que hoje gira em torno de 65%. A meta, ele conta, é elevar este índice para expressivos 90%.
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Giovanna Riato

05 abr 2016

2 minutos de leitura

Para chegar lá a companhia pretende reduzir suas importações de componentes pela metade nos próximos três anos com a ajuda da cadeia de fornecedores. “O problema é que há muitas empresas enfrentando dificuldades financeiras, que não conseguem se adaptar tão rápido às nossas necessidades”, aponta. Ele estima que o grupo tenha 400 fornecedores na América Latina e a meta é diminuir a quantidade de parceiros. “Temos pouco mais de R$ 4 mil de conteúdo importado, em média, em nossos carros e eu tenho a pressão de reduzir este número cada vez mais”, diz Gomes.

O processo de restringir as importações na PSA Peugeot Citroën acontecerá em paralelo com o aumento do compartilhamento dos componentes dos carros feitos pela empresa na América Latina. O número de plataformas produzidas localmente vai cair de cinco para apenas uma nos próximos anos. “Esta plataforma ainda está em desenvolvimento”, revela. Segundo ele, a base modular faz parte do plano estratégico que a empresa apresentou na terça-feira, 5, em sucessão ao Back in the Race, que tinha como objetivo colocar os resultados da companhia novamente no azul e foi concluído em 2015, com dois anos de antecedência.


MAIS 2 ANOS DIFÍCEIS

A estratégia local da PSA Peugeot Citroën será conduzida justamente no momento em que o mercado brasileiro enfrenta a crise. Gomes não espera que as vendas passem de 2 milhões de unidades em 2016. “Prevejo mais dois anos de dificuldades”, avalia. Segundo ele, ainda que a situação economia melhore, vai levar algum tempo para isso refletir nas vendas de veículos. “As pessoas estão com outras prioridades agora.”

Para o executivo, a situação não é ideal, mas também não impede que a empresa conduza seus planos de elevar as vendas na América Latina. O objetivo é aumentar tanto o market share, que está em 3,9% no continente, quanto a lucratividade. Gome avalia que a Argentina será pilar importante desta evolução, com mudanças na política econômica desde que o presidente Mauricio Macri assumiu o governo. “Somos um time. O Brasil já cobriu perdas da Argentina, mas hoje está acontecendo o contrário”, assume.