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PSA Peugeot Citroën define programa tecnológico no Brasil

Em setembro a PSA Peugeot Citroën reunirá seus estrategistas na área de tecnologia para definir os rumos de seus investimentos na Europa, Ásia e América Latina. À frente dos debates internos da companhia estará o diretor mundial de pesquisa e desenvolvimento, Gilles Le Borgne, que recebeu na quarta-feira, 28, um pequeno grupo de jornalistas no Rio de Janeiro – entre eles o representante de Automotive Business – para antecipar algumas das questões centrais do programa que envolve também o presidente para a América Latina, Carlos Gomes. Da reunião, no Museu de Arte Moderna, próximo ao Aeroporto Santos Dumont, participou François Sigot, o diretor responsável pelo Centro de Tecnologia da PSA na América Latina, que resumiu o propósito da visita de Le Borgne: compreender as alternativas locais e tomar decisões ante as múltiplas facetas do Inovar-Auto.
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paulo

28 ago 2013

6 minutos de leitura

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“Há muito a ser ainda interpretado no programa do governo”, disse Sigot. “É preciso definir, por exemplo, o que representa pesquisa e o que significa desenvolvimento diante da legislação. Há também diferentes rotas tecnológicas a serem confrontadas para alcançar as metas de eficiência energética até 2017”, explicou. No centro de tecnologia que dirige, um dos principais esforços é reduzir a massa dos veículos, otimizando componentes, como forma de diminuir o consumo de combustível.

Le Borgne quis ouvir a opinião dos jornalistas a respeito do uso do diesel como combustível no Brasil (os pontos de vista são divergentes) e, em contrapartida, expressou sua preocupação com o grande esforço necessário para o País ganhar competitividade, começando pelos investimentos em logística e infraestrutura. Ele admite, no entanto, que existe vontade política de buscar soluções e disse que “as pessoas estão pedindo respostas”, numa alusão aos movimentos populares.

GENERAL MOTORS

Um dos resultados do seminário que a PSA promoverá em setembro será afinar, na prática, o acordo estabelecido na área tecnológica com a General Motors. Estará em discussão, entre outros temas, o projeto conjunto de motores 3-cilindros que poderão atender o mercado brasileiro. O desenvolvimento do propulsor levará em conta, de forma especial, o desempenho com etanol. Não está descartado o emprego de injeção direta e turboalimentação.

A aproximação entre PSA e GM, na área de desenvolvimento e compras, já traz resultados notáveis para as duas empresas. Somente na área de compras a PSA deverá contabilizar este ano economias da ordem de € 60 milhões graças ao esforço conjunto com a parceira.

A PSA faturou € 55,4 bilhões e aplicou € 2 bilhões em P&D em 2012 e pretende investir € 1,7 bilhão este ano, enquanto faz um grande esforço para expandir a atuação na Ásia e América Latina, mercados onde vem obtendo resultados expressivos. “Obtivemos vendas surpreendentes na Argentina”, revelou Le Borgne, demonstrando também satisfação com a operação brasileira, que recebe aporte de R$ 3,7 bilhões até 2015 para reforçar a estrutura e lançar novos produtos.

Como parte dessas aplicações, a empresa elevará, até início de 2014, a capacidade de produção em Porto Real (RJ), de 160 mil para 220 mil veículos/ano. Ao mesmo tempo a capacidade da fábrica de motores alcançará 280 mil unidades/ano, incluindo modelos 1.4, 1.5 e 1.6 (a versão 2.0 é construída na Argentina). Na unidade do Rio de Janeiro são montados o 208, 207 hatch, 207 Passion e Hoggar, da Peugeot, e o C3, Aircross e C3 Picasso, da Citroën.

A PSA trabalha no desenvolvimento da plataforma EMP1 (Efficient Modular Plataform), em parceria com a GM, para mercados globais, e cria também a EMP2, para veículos da classe C, médios como o novo 308. Esta última será utilizada na China em 2014 e, só depois, chegará ao Brasil.

NOVAS TECNOLOGIAS

Le Borgne aproveitou a presença no País para visitar parceiros na área de tecnologia e conhecer melhor os acordos de cooperação com a Faperj, Petrobras, USP e Unicamp, que abrangem pesquisas na área de biocombustíveis, como etanol e biodiesel. Ele pretende utilizar esses conhecimentos na Europa, onde a partir de 2020 o limite de emissões veiculares de CO2 será de 95 g/km. Naquele continente a marca francesa trabalha também no desenvolvimento de diferentes modelos de híbridos. Ela utiliza em praticamente toda sua linha de veículos recursos como o start-stop, mas acredita que o mercado está longe de aceitar os elétricos em volume expressivo.

“Os puramente elétricos não chegarão a 5% do volume global comercializado em 2020”, profetiza o executivo. A Citroën produz o C Zero e a Peugeot o íon, ambos construídos sobre a plataforma do iMiEV, da Mitsubishi, e montará em Vigo, na Espanha, uma versão elétrica do Berlingo, com bateria fornecida pela empresa japonesa. Quanto aos sistemas com célula a combustível, entraram em compasso de espera na PSA. “Não prevemos nada antes de 2020”, afirma.

A empresa aposta no Hybrid Air, que emprega motor a combustão combinado com um sistema hidráulico a ar, capaz de acumular energia em caso de frenagem. O projeto já está tecnicamente viabilizado, faltando a validação final junto com a Bosch, parceira no empreendimento. A PSA quer também conquistar a confiança do mercado com a adesão de novas marcas ao programa do Hybrid Air e novos aportes financeiros e técnicos importantes. O projeto será apresentado formalmente em setembro no Brasil, mas já foi levado ao conhecimento dos técnicos do Ministério do Desenvolvimento como alternativa para os programas de eficiência energética.

“O Brasil pode facilmente dominar essa tecnologia, que não tem custos elevados”, pondera Le Borgne. O C3 Hybrid Air permite obter uma economia de 30% no consumo de combustível em relação a um C3 convencional, com motor de 3 cilindros a gasolina, caixa de câmbio do gênero CVT (continuamente variável) e sistema hidráulico fechado. “As tecnologias aplicadas no sistema híbrido a ar são conhecidas e comprovadas”, reforça Le Borgne.

Le Borgne, 50 anos, é formado pela École Nationale Supérieure des Céramiques Industrielles (Escola Nacional Superior de Cerâmicas Industriais). Na PSA Peugeot Citroën, o executivo trabalhou com pesquisa e desenvolvimento de materiais e tecnologias durante oito anos, antes de se tornar engenheiro chefe da plataforma e do projeto do Citroën C3 fase I. Em seguida, foi responsável por conceitos avançados de veículos durante sete anos. Em 2010, assumiu o comando dos Projetos de Módulos e Bases de Veículos e concebeu a nova plataforma modular EMP2.

Em 2012, assumiu a direção de projetos avançados e integrou desde o início a equipe de negociações com a General Motors para a formação da aliança entre a PSA e o grupo americano. Em abril de 2013, Le Borgne foi nomeado diretor mundial de pesquisa e desenvolvimento da PSA Peugeot Citroën.