Com essa perspectiva, os resultados para a América Latina previstos pelo plano estratégico Push to Pass, com lucro multiplicado por três até 2021, podem ser alcançados antes do previsto, segundo informou a PSA em teleconferência com imprensa brasileira na quinta-feira, 1º.
“Confirmamos o que foi dito em 2017, que estamos no caminho do crescimento rentável na América Latina”, disse o vice-presidente financeiro do Grupo PSA para a região, Gustavo Soloaga. |
Sobre o Brasil, há perspectiva positiva, embora o País tenha encerrado o ano ainda no vermelho, mas com prejuízo menor – conforme adiantou o presidente global da companhia, Carlos Tavares, em sua passagem pelo Brasil. Segundo Soloaga, as boas prerrogativas para o mercado brasileiro neste ano podem ajudar o grupo a recuperar suas margens e voltar ao azul antes do previsto.
“No Brasil, tivemos um ano de queda em 2016 [dos resultados financeiros], já em 2017 ficamos perto do equilíbrio. Quiçá daqui um ano, quando falaremos dos resultados de 2018, tenhamos uma boa surpresa, que nos antecipe as projeções do Push to Pass para a região. Estamos na trajetória para atingir os objetivos”, disse.
“Acreditamos que o Brasil terá um crescimento mais lento, mas sólido. Neste contexto, não teremos a ambição de ganhar muito market share neste ano, mais que isso, nosso objetivo é ter competitividade suficiente para seguir com qualidade e satisfação do cliente”, acrescentou. Ele informa que 2017 foi o último ano de participação baixa e que a meta do grupo no País é acompanhar o mercado no que diz respeito ao crescimento das vendas. Soloaga analisa que o primeiro sinal de que a crise está se esvaindo é a reação do mercado B2B. No entanto, acredita ser este o ano do B2C. “Há uma melhora no contexto econômico, com baixa das dívidas, o que vem gerando maior procura por crédito”, aponta.
|
RESULTADOS GLOBAIS COM RECORDE |
O executivo apresentou o resumo do balanço financeiro do grupo divulgado horas antes pelo seu presidente global, Carlos Tavares. “Os resultados são espetaculares, com recorde global”, disse Soloaga.
Os números mostram recorde no faturamento, que atingiu os € 65,2 bilhões em 2017, aumento de 20,7% no comparativo com o ano anterior. Este resultado já inclui os resultados da Opel e Vauxhall. As vendas globais de veículos somaram 3,23 milhões de unidades, alta de 2,6% com crescimento em todos as principais regiões do mundo, exceto a China.
Incluindo as entregas de Opel e Vauxhall, o volume sobe para 3,63 milhões de veículos. Na divisão automotiva, o faturamento cresceu 9,9%, para € 40,7 bilhões, considerando as marcas Peugeot, Citroën e DS. As marcas Opel e Vauxhall, cujos resultados foram incorporados ao do Grupo PSA a partir de 1º de agosto de 2017, apresentaram receita de € 7,2 bilhões. Com isso, o lucro líquido consolidado passou de € 2,14 bilhões para € 2,35 bilhões.
|
TERCEIRO ANO DE LUCRO NA AMÉRICA LATINA |
Na América Latina, o grupo registrou seu terceiro ano consecutivo de lucro, com vendas 12,1% maiores, de 186 mil para 206 mil unidades. A participação de mercado das marcas Peugeot, Citroën e DS subiu de 3,6% para 3,8%. O faturamento cresceu 13% na região, passando de € 916 milhões para € 1,28 bilhão, com vendas acima dos 44 mil veículos.
Segundo Soloaga, os números são resultado de diferentes ações, como a ofensiva em novos produtos no segmento de utilitários, com o lançamento do Peugeot Expert e Citroën Jumpy no segundo semestre do ano passado, e na categoria de SUVs, onde se encaixa o Peugeot 3008. O executivo também considerou a mudança cultural da empresa, visando a rentabilidade conforme determina o plano Push to Pass, com valorização das marcas, reestruturação das redes, redução de custos fabris e fixos, mais a concentração de esforços na qualidade e satisfação do cliente.
Para este ano, a empresa confirma a continuidade de sua ofensiva em utilitários e SUVs, com a chegada dos novos Peugeot 5008, além de Boxer, Berlingo e Citroën Jumper. Destaca ainda o feito da fábrica de motores no complexo industrial de Porto Real (RJ), que neste mês completará o volume de 2 milhões de unidades produzidas. O complexo segue trabalhando em dois turnos, apesar do ritmo mais cadenciado. Também houve adaptação de ociosidade na planta de Palomar, na Argentina, que passa por um processo de modernização a partir do investimento de US$ 320 milhões anunciados em 2017.