
“Nessa nova etapa (da divisão) passamos a ter total independência de projetos externos. Agora temos processos próprios de desenvolvimento, com engenharia dedicada, o que permite atualização constante dos produtos. E com a produção nacional podemos controlar melhor os insumos e a qualidade”, diz Nelson Godoy, gerente de varejo da Pósitron. Segundo o executivo, o nível de nacionalização dos sistemas de som, DVD, TV digital, conexão com celular e navegação feitos em Manaus vêm subindo gradativamente, inclusive como forma de compensar a alta do dólar, que tem influência direta no custo dos componentes eletrônicos importados, praticamente sem fabricação no Brasil. “Produzir aqui é uma forma de reduzir essa exposição. Controlamos os insumos e já fizemos algumas localizações importantes, como peças de plástico injetado. Mas a maioria dos eletrônicos tem de ser importada”, conta.
A marca da PST é mais reconhecida pelos sistemas de segurança como alarmes e bloqueadores para automóveis, mercado que lidera no País há 15 anos, tanto no fornecimento direto às fabricantes de veículos como no pós-venda de assessórios. A incursão no segmento de som e navegação foi feita como complemento à linha de alarmes e módulos de levantamento de vidros, mas vem experimentando avanço importante. “Este ano esperamos crescer 10% em relação a 2014”, afirma Godoy.
A PST fica sediada em Campinas (SP), onde nasceu no fim dos anos 1980 de uma encubadora de empresas da Unicamp. Em 1997 a empresa se associou ao grupo norte-americano Stoneridge. A produção de todas as linhas, altamente dependentes dos componentes eletrônicos importados, está sendo transferida integralmente para a fábrica de Manaus (AM), onde é possível fazer as importações com isenções fiscais. Somente as áreas administrativas serão mantidas no interior paulista. A empresa também mantém uma pequena linha de montagem na Argentina, com o objetivo de usar o país vizinho como base de exportação para outros mercados latino-americanos.
AFTERMARKET E FABRICANTES
A entrada da PST no segmento de som automotivo foi feita pelo aftermarket. Ainda sem ter o renome de alguns gigantes do setor, como a Pioneer, a Pósitron foi a primeira marca a vender aparelhos de rádio com CD/MP3 player em blisters pendurados em gôndolas de supermercados. Para driblar a desconfiança natural dos consumidores, aposta em oferecer boa relação custo-benefício e dá dois anos de garantia em todos os produtos. Hoje a oferta vai desde aparelhos de som mais simples até centrais multimídia com tela sensível ao toque que incluem DVD, TV digital e navegação por GPS.
Mas a PST já conquistou também o fornecimento a três fabricantes de veículos, que juntos representam atualmente 15% das vendas da divisão. Duas montadoras compram para venda como acessório original nas concessionárias e uma, a Fiat, tem carros que saem de fábrica com o sistema Pósitron instalado.
O fornecimento direto à fábrica ganha importância à medida que boa parte dos fabricantes de veículos no País vem aumentando os equipamentos de série e o sistema de som está incluído na maioria dos novos modelos. Favorece o aumento dos negócios o fato de que a PST já fornece alarmes e sistemas de rastreamento originais para mais de 10 marcas de automóveis e caminhões feitos no Brasil. “Estamos em negociação constante com as montadoras, mas no Brasil o aftermarket é muito importante para o segmento de som automotivo. Quase todos que compram um carro usado também compram ao menos um rádio novo”, diz Celso Santos, diretor comercial e de marketing da PST.
NOVOS PRODUTOS
Com o desenvolvimento local, a PST acompanha com maior velocidade as principais tendências do segmento, principalmente o aumento da conectividade esperado dos novos sistemas multimídia automotivos. Toda a linha 2015 de 12 produtos, desde o rádio MP3 player mais simples em torno de R$ 100 até a central multimídia com navegador mais cara de R$ 1,6 mil, vem equipada com conexão Bluetooth, que permite a ligação sem fio com o telefone celular ou smartphone, para reprodução de músicas gravadas no aparelho, lista de contatos e conversas por viva-voz. Os aparelhos também têm entrada USB e SD Card.
“O Bluetooth é obrigatório hoje, por isso incluímos em todos os nossos aparelhos. É a nova conexão USB e a tendência é que todos os sistemas de som automotivo vão incorporar isso”, afirma Godoy. “Costumo dizer que ter telefone com viva-voz no carro é mais barato do que a primeira multa que você pode tomar por conversar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.”
Outra tendência seguida é o espelhamento do smartphone e todos os seus aplicativos na tela da central multimídia. No caso da Pósitron a função, chamada de MirrorLink, já foi incorporada aos modelos mais sofisticados da linha 2015, assim como os sistemas operacionais CarPlay (Apple) e Android Auto, capazes de rodar 100% do conteúdo e funcionalidades dos aparelhos baseados nos sistemas IOS e Android. “Com a maior integração com o celular, nos próximos lançamentos já oferecemos centrais multimídia sem entrada para CD, que perde sua utilidade”, explica Godoy.