Mesmo as mudanças mais benéficas e desejadas provocam sensações de perda, por isso, é natural pensar: “a coisa vai piorar”, “isto vai passar” ou “não sabem o que estão fazendo.”
Geram também ambiguidade uma vez que nem todas as perguntas terão necessariamente respostas. Como fica nossa empresa agora? O que tenho que fazer para não ser prejudicado? Coisas do tipo.
A combinação destas reações pode ser muito perigosa. Quanto mais complexa a mudança, mais sensação de perda ela causa e, não há dúvidas, o Inovar-Auto é uma importante e complexa mudança. Com ele o Governo inaugura uma nova era na qual sua empresa vai pagar mais impostos se não inovar.
Há outro aspecto. A sensação de perda adicionada à ambiguidade gera paralisia e instinto de autopreservação. E isto acontece desde os primórdios da humanidade.
Muito bem, voltando ao novo regime automotivo e observando a reação que as empresas vêm apresentando, ficou bastante claro para nós que foram formados dois grandes grupos de executivos e atitudes.
Um primeiro e mais numeroso grupo teve a mais institutiva das reações: “enquanto tudo não estiver claramente definido não nos mexeremos.” Esta é a resposta mais natural, mais previsível e humana. Atenção: não estou dizendo que é a certa. É apenas a mais humana.
Como, obviamente, em um programa desta complexidade sobraram muitas perguntas sem respostas (por enquanto) e lacunas não preenchidas, era previsível que a maioria dos executivos e empresas estaria deste lado.
Há neste grupo alguns integrantes mais severos e exigentes. Estes vão além e, por causa de pequenas imperfeições que o decreto contém, condenaram o Inovar-Auto por inteiro. “Jogaram a água e o bebê fora”, como dizem os americanos. Estes profissionais não consideraram que toda a mudança importante traz “pepininhos”, mas nem por isso é ruim.
Um segundo e diferenciado grupo não teve a mesma reação. Não deu ouvidos ao seu instinto de resistir e não teve uma postura natural. Teve sim, a postura certa e está fazendo, não o que sente vontade de fazer, mas o que precisa ser feito.
Estes dirigentes estão espalhados na cadeia automotiva, mas não só nas montadoras. Eles pararam para pensar no programa e olhar para as oportunidades. Consideraram a parte que já está bem clara e que certamente não será modificada.
O Inovar-Auto estabeleceu metas, exigiu compromissos com inovação, alterou notavelmente a vida e realidade de montadoras e importadoras. Essas mudanças podem se transformar em pesadas perdas ou em oportunidades de ganho de competitividade dependendo, justamente, do tipo de reação que você e sua empresa terão.
Considere ao menos os dois tipos que citamos. Por muitos anos nos queixamos de falta de políticas industriais. Dizíamos em coro que sabíamos o que tinha que ser feito, mas faltavam-nos diretrizes e incentivos governamentais para que o fizéssemos.
O Inovar-Auto enfim está aí e, ao invés de rapidamente se mobilizarem e saírem na frente para vencer, muitas empresas estão paradas esperando que os detalhes superficiais sejam definidos. Querem um novo programa mais claro ou mais parecido com os desejos dos fabricantes.
O regime automotivo é a nova realidade. Veio para ficar. Traz as oportunidades de novas receitas para as empresas de autopeças. Revoluciona as contas de “make or buy”, valoriza a engenharia e a P&D no Brasil e impõe desenvolvimento. É um programa vencedor para o País e para quem compreender sua essência e se encaixar nas janelas de oportunidades que ele abre.
A escolha é de cada um, de cada empresa. Fazer o instintivo e natural ou o certo e que tem que ser feito. Perder ou Inovar e Vencer.
Sucesso!