logo

Qualcomm quer elevar presença no setor automotivo

Lacerda diz que brasileiros são ávidos por conectividade, o que torna o mercalo local ainda mais promissor
Author image

Redação AB

31 mar 2017

3 minutos de leitura

Imagem de Destaque

A Qualcomm é uma gigante de tecnologia bem menos conhecida do que conterrâneas como Micosoft ou Apple. Ainda assim, a empresa cujo valor de mercado gira em torno de US$ 80 bilhões produz chips e semicondutores e está por trás de grandes inovações tecnológicas dos últimos 30 anos, como os smartphones. Os componentes oferecidos pela companhia servem de plataforma tecnológica e garantem a conectividade dos celulares, computadores e, mais recentemente, carros.

É justamente neste último produto que a companhia aposta boa parte das fichas para crescer nos próximos anos. ”Temos focado em segmentos que prometem expansão mais interessante no futuro e o automotivo é um deles. O mercado de smartphones começa a dar sinais de maturidade globalmente, já a demanda por carros não. Há ainda demanda crescente por conectividade e automação”, diz Marcos Lacerda, diretor de vendas da Qualcomm para a América Latina. Localmente a empresa não tem um time dedicado ao setor automotivo, mas ele admite que esta é uma possibilidade para o futuro.

BRASIL ESTÁ NA MIRA

Ainda que as vendas e a produção de veículos tenham sofrido forte contração nos últimos anos, o executivo diz que o setor automotivo nacional tem grande potencial. “Com toda a dificuldade que a indústria local enfrenta, as montadoras estão empenhadas para se destacar e surpreender o consumidor quando uma retomada começar”, diz, lembrando que há cada vez mais projetos locais para desenvolver soluções de conectividade para os veículos oferecidos aos consumidores.

Lacerda destaca um paradoxo do setor automotivo brasileiro: ainda que seja um mercado emergente, com forte pressão sobre os preços, o cliente local é ávido por novas tecnologia e conectividade. Um sinal importante desse movimento, diz, é o crescente número de negócios locais no aftermarket, com pequenos e médios fabricantes apostando em produtos para levar conectividade aos veículos. “Estamos trabalhando em uma série de projetos para levar conectividade aos sistemas de infoentretenimento, que passam a incorporar redes 3G e 4G e oferecer informações em tempo real.”

“Há muitas oportunidades localmente. Temos conversado com uma série de montadoras e fornecedores de primeiro e segundo nível”, conta. Segundo ele, a Qualcomm já é parceira global da maior parte das montadoras. Localmente há solução da empresa embarcada no Chevrolet OnStar, sistema de conectividade e serviços que equipa carros da marca. “Com essa vontade do consumidor brasileiro de se conectar e das empresas de se destacar, quando houver retomada das vendas a conectividade automotiva tem no Brasil um papel mais importante do que em outros países”, avalia.

Para garantir presença mais consistente no setor nos próximos anos, a companhia reforçou seu portfólio recentemente com algumas aquisições. Uma delas foi a compra da CSR, fabricante inglesa de semicondutores, que além de novas soluções, trouxe carteira de clientes relevante no setor.

PRIMEIRA FÁBRICA DE CHIPS DO BRASIL

Como parte da estratégia de fomentar os negócios localmente, a Qualcomm assinou memorando de entendimento para instalar a primeira fábrica de chips e semicondutores do Brasil. O projeto deve ser uma joint venture da empresa com a taiwanesa ASE Group e pretende fomentar a produção local destes componentes, que atualmente são 100% importados, algo que desequilibra a balança comercial. A iniciativa pretende criar um ecossistema de desenvolvimento de soluções para smartphones e para IoT (Internet das Coisas). “Queremos dar um impulso para o avanço desta área no País. A intenção não é ter uma fábrica isolada no Brasil”, diz.

Lacerda diz que, em uma segunda etapa, a fábrica pode passar a abastecer a indústria automotiva. “Teríamos apenas que adaptar o produto, já que os chips e processadores para veículos precisam ter resistência maior às vibrações e variações de temperatura”, conta.