
Na opinião dele, este é o desafio da indústria automotiva: superar os parâmetros para entregar o que chama de “qualidade total.” A ideia é adotar o ponto do vista do cliente para oferecer produto e experiência de uso adequada a ele. Para chegar a este patamar, Schwarzwald aponta que é essencial reunir esforços de toda a cadeia produtiva e da rede de distribuição. A ideia é integrar as áreas tanto da montadoras, quanto de fornecedores para alcançar este objetivo.
O executivo da Volkswagen lembra que pesquisa realizada pelo Sindipeças apontou que o custo da falta de qualidade na cadeia produtiva chega a R$ 5,6 bilhões por ano. O valor representa cerca de R$ 1,5 mil por veículo, montante que poderia ser convertido para agregar tecnologia ao carro ou até mesmo garantir um bom desconto para o consumidor. “Não é mais necessário discutir a importância da qualidade. Ela é importante e ponto. A questão é como diminuir este atraso temos hoje”, avalia Schwarzwald.
O desafio é grande. Há a barreira cultural, já que a base de fornecedores é composta por empresas de diferentes nacionalidades. Esta filosofia deve ter longo alcance para atingir o volume de pessoas envolvidas em todas as etapas. Só na rede de distribuição que, no caso da Volkswagen, soma mais de 600 concessionárias no Brasil, é necessário que a montadora esteja em contato e dissemine a estratégia para cerca de 100 mil pessoas.
“Temos de garantir qualidade no produto, na experiência de uso e no pós-vendas. É isso que vai atrair o cliente para uma segunda compra na marca no momento em que ele for trocar de carro”, lembra. Como indicador do tamanho desta responsabilidade o executivo aponta que, considerando apenas seis modelos vendidos pela montadora alemã no Brasil, cada um deles com 4 mil componentes, em média, são 2 trilhões de peças em circulação que precisam ter qualidade, manutenção e reposição garantidas pela fabricante.
Na Fiat Chrysler Automobiles (FCA) a qualidade é vista como parte da cultura da companhia. Amin Alidina, diretor da área para a América Latina, explica que a busca para oferecer o melhor tem de estar no coração e na alma da empresa. “Sem isso nenhuma metodologia de produção é bem sucedida”, explica, revelando que a empresa adota o Six Sigma em suas unidades produtivas.
O executivo conta que a Fiat tem o desafio de se manter na liderança de vendas no Brasil mesmo diante da forte concorrência. Para garantir essa posição a fabricante quer ir além de oferecer um bom design aos consumidores, aumentando a atratividade do carro. “Um carro bonito não quer dizer nada. Tem de haver inovação. A ideia não é reduzir experiência negativa com o veículo, mas sim agregar nele coisas que as pessoas realmente gostam”, defende. Para Alidia, um bom exemplo disso é o Novo Uno, que trouxe tecnologia ao segmento com a oferta de start stop na linha 2015.
