logo

autoinforme

Qualidade do ensino pode melhorar o trânsito em São Paulo

O Brasil desperdiça no trânsito R$ 300 bilhões por ano, ou 7,3% do PIB, em tempo que poderia ser convertido em horas de trabalho. Na média, o trabalhador perde 82 minutos por dia no trânsito (dados das nove principais regiões metropolitanas do Brasil). Mais do que nunca a sociedade discute a questão da mobilidade urbana com o objetivo de encontrar soluções para minimizar o problema. Muitas alternativas estão em debate, entre elas a redução da velocidade máxima, como a implementada em São Paulo, que já provocou aumento de velocidade média.
Author image

Redação AB

20 jan 2016

3 minutos de leitura

A conectividade é outra ferramenta importante para uma mobilidade mais amigável. Segundo o engenheiro Raul Colcher, do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a conectividade traz soluções que resolvem ou minimizam problemas urbanos, fornece informações no celular que ajudam no deslocamento, conecta o Waze, onde os usuários trocam informações sobre o trânsito e reduz o tempo das viagens.

Os sistemas de transportes inteligentes permitem grande número de aplicações e os carros autônomos estão chegando para reduzir distâncias, economizar combustível e diminuir emissões, além de garantir total segurança e conforto ao usuário. O transporte coletivo é, talvez, a maior garantia de um futuro menos trágico no trânsito urbano. Cidades como Nova York já provaram que a abundante oferta de transporte coletivo e a mobilidade, estimulam o motorista a deixar o carro e casa, usando-o de forma mais parcimoniosa, em ocasiões especiais, utilizando o transporte público no dia a dia, que é mais rápido, mais barato e mais eficiente.

As alternativas para um trânsito mais amigável são muitas. A indústria e os gestores públicos investem muito dinheiro em novas tecnologias, oferecendo mais alternativas de mobilidade para o cidadão. Mas antes de buscar soluções para amenizar o sofrimento nos deslocamentos urbanos, não seria o caso de discutir a necessidade desses deslocamentos? Não seria o caso de reduzir o número de deslocamentos?

Célia Maria, empregada doméstica, leva três horas para se deslocar de Itaquera, na Zona Leste, para o Ibirapuera. Um morador no bairro de Parelheiros que trabalha no centro de São Paulo tem que rodar 75 km por dia, perdendo tempo e dinheiro que poderia usufruir com sua família e amigos. A expulsão dos trabalhadores menos qualificados para a periferia gera este problema.

O plano diretor das cidades deve levar em conta essas questões, criar bairros populares e incentivar a instalação de empresas, com a criação de empregos nas regiões mais afastadas, mantendo o trabalhador nas redondezas de onde vive e assim evitando deslocamentos longos e desnecessários.

Por incrível que possa parecer, uma decisão na área da educação poderia proporcionar uma redução extraordinária nos deslocamentos no dia a dia nos grandes centros urbanos. Observe que nas férias escolares o trânsito da cidade fica tranquilo, o que mostra que grande parte das viagens é destinada ao transporte de crianças, adolescentes e jovens para a escola.

Se no ensino universitário as opções nem sempre estão no bairro ou na região (às vezes estão até fora da cidade), no ensino primário e secundário, não há motivos (ou não deveria haver) para uma pessoa atravessar a cidade para levar o filho na escola.

Muita gente faz isso porque procura uma opção de melhor qualidade, mas se o ensino público tivesse um bom padrão, não haveria motivo para tanto deslocamento. Imagine a redução de gasto com combustíveis, emissões de poluentes e estresse?

Os números do CET revelam que o trânsito de São Paulo cairia pela metade, em determinados períodos do dia, sem os deslocamentos para o transporte de estudantes. Segundo o órgão responsável pelo trânsito da cidade, o congestionamento no período da manhã diminuiu 50% durante as férias escolares. A média de congestionamento às 7 horas da manhã em 2015 foi de 47 quilômetros. Nas férias escolares esse número caiu para 16 quilômetros. No restante do dia as diferenças são menores, mas mesmo assim, no período de férias o trânsito é bem mais livre.


Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
[email protected]