
O ensino ruim ainda tem um impacto negativo na qualidade e na produção de veículos e autopeças no Brasil. A constatação foi feita por fabricantes do setor presentes no 5º Fórum IQA de Qualidade Automotiva, realizado em 9 de outubro no Milenium Centro de Convenções.
“O pior entrave no Brasil é a educação fundamental. É difícil capacitar alguém que tem dificuldade de escrever e mal sabe as quatro operações básicas”, afirma o diretor geral da Schaeffler, Flávio Mateus.
“O País já viveu inúmeras dificuldades anteriormente. Elas podem passar pela tecnologia, mas muitas vezes esbarram na capacitação da mão de obra”, lamenta o gerente de qualidade da Scania, Celso Gonçales.
“As fábricas estão preparadas (para produzir e exportar), os fornecedores também, a questão está mesmo nas pessoas”, reforça o diretor de qualidade da FCA Fiat Chrysler, Richard Schwarzwald.
Ao lado do gerente de qualidade corporativa da Bosch, Bruno Neri, os executivos debateram no 5º Fórum questões ligadas à qualidade sob o tema “A visão local e no exterior e os fornecedores nacionais”.
Mediado por Ingo Pelikan, presidente do IQA, o painel também abordou a necessidade de exportar. Todos concordaram que a indústria nacional está preparada para enviar seus produtos e componentes ao exterior.
“Hoje, 70% do que produzimos é exportado. Resolvemos investir nas oportunidades. Com isso conseguimos números de produção semelhantes aos de anos recordes”, afirma Gonçales.
“Um grande entrave no Brasil ainda são as condições macroeconômicas, pois 30% do que exportamos vai para a Argentina e parte disso volta dentro de automóveis”, lembra Neri, da Bosch. Ele ressalta também que o déficit na balança comercial de autopeças está mais alto em 2017 que em igual período do ano passado (veja aqui).Assista à entrevista com Ingo Pelikan, presidente do IQA: