Refiro-me ao Fórum da Qualidade Automotiva que acontece no dia 23 de setembro (veja aqui) e tem como tema central o debate da qualidade como diferencial competitivo. Esta é uma provocação que fazemos, pois qualidade já não é mais um diferencial competitivo. Tal como um profissional que na década de 60 falava inglês e era contratado imediatamente no setor automotivo. O que antes era destaque nesse profissional, hoje é pré-requisito.
Foi com este propósito que montamos a sequência das apresentações, que começa com os diretores de qualidade das montadoras, que vão explanar sobre os conceitos de qualidade e de que forma mensuram e qualificam os fornecedores. Em seguida, dois consultores avaliarão o mercado e a concorrência global.
Convidamos os gerentes de qualidade de grandes sistemistas para contar quais estratégias utilizam para entregar exatamente o que o cliente pede, ao custo que deseja, e ainda obter lucro. A escolha pelos gerentes ao invés dos diretores foi proposital, pois são eles quem têm a difícil tarefa de executar os planos no chão de fábrica, onde tudo deve ocorrer de forma precisa.
Após a pausa para almoço, iniciamos uma nova fase do fórum, com o debate sobre a qualidade no setor de aftermarket. Neste momento, reunimos a cadeia do pós-vendas independente, que é responsável pela manutenção da maior parte da frota circulante no País. Fabricantes de autopeças, distribuidores, varejistas e reparadores comentarão sobre os avanços dos programas de certificação compulsória de autopeças.
Este é um programa que o Brasil implementa aos poucos, infelizmente, pois é extremamente importante para o consumidor, uma vez que separa o joio do trigo, a autopeça de qualidade daquela feita sem nenhum critério. Este é um ponto a ser muito debatido, pois nos dias atuais, em que a importação é livre, vemos nas prateleiras de tudo um pouco.
Com a certificação compulsória, o consumidor ganha a segurança de que o produto que está comprando tem ao menos requisitos padronizados de qualidade, feitos a partir de uma norma técnica e auditado por um organismo de certificação de terceira parte, independente, o que garante imparcialidade na avaliação.
Assim, a programação se encerra com palestras do presidente do Inmetro, João Jornada, que reforçará a importância da implementação da certificação compulsória para autopeças de reposição, e de representante do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que comentará sobre os programas de política industrial do governo.
União
De forma resumida, o programa deste primeiro fórum sobre Qualidade Automotiva incentiva a união de todos os elos da cadeia produtiva para que trabalhem em conjunto na produção e desenvolvimento de veículos no Brasil.
Qualidade não é mais um diferencial competitivo. Ou você tem ou não participa mais do mercado. Simples assim. A montadora, com todos seus critérios e rigidez, dita os parâmetros do mercado, e por isso tem grande responsabilidade: de que todos os elos consigam atender suas exigências de forma rentável e eficaz. Afinal, o problema de um subfornecedor reflete diretamente no produto final, que leva o nome da fabricante do veículo.
É por isso que o assunto qualidade deve ser discutido de forma ampla. Do fornecedor de parafusos até o pós-venda do produto e, se possível, até o fim de vida útil do veículo, que hoje em dia não pode mais ser descartado de forma desorientada.