Atualmente, as pessoas fazem confusão com o digital. Muitos acreditam que basta se atualizar sobre inteligência artificial (IA), internet das coisas (IOT), 5G, carros autônomos… Não é bem assim. O digital exige mais responsabilidade do consumidor, ao mesmo tempo que coloca a confiança em um novo patamar.
Na época pré-Netflix não era necessário gastar energia para analisar a realidade. A verdade estava estampada na televisão. As empresas eram “autoridades” da TV que anunciavam os produtos com poucas opções e restava para o consumidor menor poder ainda de exigência pela qualidade de produtos e serviços. Um exemplo notório de falta de opção é o mercado de automóveis, que viu a hegemonia de pouquíssimos modelos na liderança das vendas durante décadas.
A qualidade hoje em dia, na era pós-Netflix, já vem avaliada por estrelas, likes e comentários. Uma série de consumidores avaliou inúmeras experiências com o produto ou serviço. A autoridade aqui é a reputação que garante mais segurança para o consumidor ao entrar em um carro de um desconhecido, por exemplo no Uber.
Mas não se engane, a vida do consumidor não ficou mais fácil. O aumento da abundância de informação exige mais checagem de fontes e mais pesquisa antes de comprar. Isso definitivamente amplia a responsabilidade do consumidor pela qualidade, como, por exemplo, adquirir um modelo arrojado, um veículo mais clássico ou simplesmente assistir a algo interessante ou não no Youtube.
Aliás, meu Youtube é diferente do seu. A qualidade depende dos gostos de cada um a partir de um algoritmo que toma como base as preferências individuais. Não existe alguém assistindo e controlando a qualidade dos vídeos do Youtube. Seja no streaming ou no mercado de automóveis, é preciso levar em consideração a avaliação do público. Enfim, na transformação para o digital, a mudança está mais na gestão dos negócios e das pessoas que na tecnologia.