Unidades motrizes de três cilindros estão longe de constituir novidade. Aqui mesmo o DKW-Vemag, motor de dois tempos, surgiu em 1956. Também foram usadas, em carros pequenos, unidades de quatro tempos, ciclos Otto e Diesel, na Europa e Ásia. No entanto, nível de vibração e sonoridade levou a queixas e certo ostracismo.
Tudo mudou graças aos avanços da engenharia de motores. Marcas premium como a BMW já oferecem motores de três cilindros de até 1.500 cm³. Entre modelos fabricados no Brasil, Hyundai saiu na frente com HB20 (motor ainda importado), seguido pelo VW Up! e, a partir de julho, os novos Ford Ka hatch e sedã. Outros estão na fila: PSA Peugeot-Citroën, Chevrolet, Renault, além dos chineses que entrarão em produção Chery QQ e JAC J3. Fiat deve entrar na onda.
Infelizmente, a legislação brasileira estimula motores de 1.000 cm³ (1 litro). Podem não significar a melhor escolha em razão do porte ou utilização do veículo. Entre 1 e 1,6 litro há ampla gama de aplicações. Correto seria estabelecer meta incentivada de redução de consumo, independentemente de cilindrada, e que vença o melhor.
A Ford deu um salto com o tricilíndrico flex de 1 litro e duplo comando de válvulas variável (admissão e escape), que já começou a produzir em Camaçari (BA). Potência (85 cv a 6.500 rpm) e torque (10,7 kgf∙m a 4.500 rpm) com etanol são os maiores entre motores aspirados equivalentes. Prevê também o menor consumo absoluto, após crivo do Inmetro. No exterior, versões só a gasolina/injeção direta entregam 65 cv e 80 cv, enquanto o EcoBoost (turbocompressor) oferece 100 cv e 125 cv para Fiesta e Focus. O mais potente está nos planos da fábrica baiana, no horizonte de um a dois anos.
Esse novo propulsor apresenta algumas curiosidades como bloco em ferro fundido, apesar da virada mundial em direção ao alumínio, leve e também mais caro. Os do Up! e do HB20, em alumínio, têm massa em torno de 15 kg menor. A marca americana alega ser um motor bastante compacto. Provavelmente, a razão real se deve à robustez necessária em outra versão, de nada menos de 140 cv, para o Mondeo (Fusion), conforme se especula na Europa.
Para baixar custo de manutenção a correia dentada (lubrificada) dura 240.000 km, dobro do Up!, por exemplo. Eliminou partida auxiliar a gasolina em dias frios. Mas, tuchos de válvulas são sólidos (mecânicos) e exigem regulagens periódicas, ao contrário de tuchos hidráulicos. Estes dispensam qualquer intervenção e garantem revisões mais rápidas e (teoricamente) baratas.
Resta ver a aplicação no novo Ka, maior que o anterior. Seu torque máximo surge em rotações elevadas e costuma prejudicar elasticidade e prazer ao dirigir. A fábrica, entretanto, afirma que trabalhou na curva de torque a fim de compensar qualquer sensação de respostas fracas ao acelerador.
RODA VIVA
TOYOTA anunciou, no Japão, nova gama de motores a gasolina, de 1 e 1,3 litro, com notáveis avanços em economia de combustível. Serão 14 aplicações em modelos compactos e médio-compactos nos próximos dois anos, cobrindo 30% de toda sua gama. Motores trabalham no ciclo Atkinson e a economia de combustível vai de 15% a inacreditáveis 30%.
VISANDO ao transporte urbano para duas pessoas, uma pequena empresa japonesa, D Art, resolveu ressuscitar a ideia do carro-bolha italiano Isetta, dos anos 1950. Porta única frontal abre para cima (no original para o lado) e teria sido aprovado no teste de impacto no Japão. Propulsão é elétrica e motor de combustão auxiliar ajuda a dobrar a autonomia até 300 km.
SAVEIRO Cross ganhou bastante em agilidade graças ao motor de 1,6 litro MSI, em alumínio, da família EA 211, inteiramente novo. Tem 16 válvulas e duplo comando variável (só admissão), 120 cv e 16,8 kgf∙m (etanol). Impressiona pelas respostas em baixas rotações, em especial com combustível vegetal, que confere mais 9% de potência e 6% de torque.
LIMPEZA do sistema de alimentação, descontaminação interna do motor, higienização dos dutos do ar-condicionado e kit de lubrificação são operações criativas usadas por oficinas para aumentar o preço das revisões, em especial as de preço fixo sugerido pela fábrica. Trata-se de despesas, quase sempre, dispensáveis e exigem autorização prévia.
MUITO didática a orientação técnica do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) sobre riscos de uso de películas escurecidas nos vidros dianteiros e para-brisa. Carros atuais já estão no limite máximo de transparência permitida em lei, à exceção dos vidros traseiros. No link tinyurl.com/m58kaxr está tudo explicado.