Recentemente o OESP publicou no seu editorial que os empresários haviam perdido uma excelente oportunidade de pleitear junto ao Presidente Lula e sua equipe as medidas que se fazem necessárias para que a indústria brasileira entre num ciclo virtuoso, quais sejam: redução dos gastos públicos com a queda paulatina da carga tributaria, para não expandir o déficit público, e a aceleração dos investimentos em infra-estrutura que aumentaria a capacidade do poder público e a confiança dos investidores privados.
O que o OESP mais estranhou dessa atitude dos cem empresários que foram ao encontro em Brasília é que, no dia anterior, o 2o. ENAI, Encontro Nacional da Indústria, emitiu a Carta da Indústria com essa cartilha e ninguém teve coragem de entrega-la ao Presidente. Pelo contrário, o mutismo frente ao pronunciamento do Ministro Mantega, sobre como a economia vai bem, só foi quebrado após o discurso de Lula por um coro de elogios ao seu entusiasmo, franqueza e poder de convencimento.
Um colega que lá esteve, comentou que também ficou surpreso que os capitães da indústria tenham consentido com o status quo da política fiscal e com o estímulo verbal de Lula a que ousemos na exportação.
Pelo que se soube, havia absoluto consenso na receita que o ENAI promulgou, haja visto que antes da chegada do Presidente só se falava na necessidade de reduzir imediatamente a CPMF, marcando data para sua extinção. E então, como explicar essa falta de coragem de nossos líderes frente ao Governo?
Vamos acreditar que, como declarou um dos presentes à televisão, de que não houve clima para tratar da CPMF? Ou o Lula nos levou no bico mais uma vez?
Hugo Ferreira – [email protected] – www.hugoferreira.com.br