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Quem é a chinesa BYD, que a Caoa namora

Carlos Alberto de Oliveira Andrade, que comanda as operações da Hyundai Caoa no Brasil, está de olho há algum tempo na revolucionária chinesa BYD. As três letras correspondem à expressão Build Your Dreams e exprimem também os sonhos de seu presidente, Wang Chuanfu, o homem mais rico da China, que nasceu pobre.
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cria

04 dez 2009

4 minutos de leitura

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Andrade admitiu ao Estadão estar em contato com a montadora. Ele desembarcará na China na segunda-feira para uma visita às instalações da BYD e conhecer seus produtos. Segundo a jornalista Cleide Silva, ele testará o F3, com motor 1.5 litro e vendido a R$ 20 mil na China.

A Hyundai Caoa, associada à Anfavea, produz comerciais leves (o minicaminhão HR) em Anápolis, e se prepara para montar o Tucson da atual geração (há uma nova a caminho), que estaria disponível também para exportação. Andrade anunciou em agosto que a empresa investiria R$ 1,2 bilhão e contrataria 900 trabalhadores para ampliar a produção e as instalações.

A jornalista Cleide Silva foi um dos poucos jornalistas a conhecer de perto o empreendimento em Anápolis e disse a Automotive Business ter ficado bem impressionada com o que viu, incluindo montagem com robôs e sistemas modernos de pintura à base de pó.

Há expectativa quanto à chegada ao Brasil da própria Hyundai, que chegou a anunciar a construção de uma planta em Piracicaba, SP, para a produção de veículos compactos ou pequenos. Como ficaria a parceria da Caoa com a Hyundai, que tem trazido ótimos resultados para o empresário brasileiro, diante de uma aproximação com a BYD?

Será preciso algum tempo para obter a resposta. Mas é preciso lembrar que marcas internacionais conviveram no Brasil em diferentes épocas: Suzuki e SangYong, Lada e Subaru, Mitsubishi e Suzuki (atual). Em todos estes casos as operações comuns não misturaram as bandeiras das marcas. Lada e Subaru chegaram a possui revendas em comum, experiência que não foi muito bem sucedida.

Embora a BYD construa carros convencionais, com motor a combustão, a força da empresa está em veículos elétricos, como o e6, que promete autonomia de 400 km com apenas uma carga de bateria. O truque dessa autonomia está na bateria, construída à base de ferro. A maioria dos outros fabricantes de carros elétricos usa baterias de íon-lítio.

A BYD Auto quer ser o maior fabricante global de veículos a longo prazo, confiando no desempenho de suas baterias. Chuanfu tornou-se o segundo maior fabricante de baterias para celulares do mundo e lançou carros híbridos e elétricos que prometem bater americanos e japoneses. O próximo passo será uma arrancada em direção aos Estados Unidos no segmento automotivo em 2011 — possivelmente com linhas de montagem.

A companhia lançou o F3DM, primeiro sedã plug-in híbrido do mundo, e o F6DM, que pode funcionar como híbrido ou puramente elétrico. Mas a atração do momento promete ser o elétrico e6, capaz de acelerar de zero a 100 km/h em oito segundos e percorrer até 400 km com uma carga de bateria — recorde expressivo para um carro que pode ser produzido em escala.

A bateria de ferro é considerada barata (50% do preço do íon-lítio), segura e ecologicamente amigável. Metade da carga pode ser reposta em dez minutos e o fabricante promete uma vida de dez anos.

Há, é claro, um inconveniente: o e6 carrega 600 kg de baterias, duas vezes o peso das baterias de íon-lítio de protótipos japoneses.

50% do preço

A BYD Auto, baseada em Shenzhen, China, é um subsidiária da BYD Company e fornecedora de componentes para a Nokia, Motorola e Samsung. Veja www.byd.com.

O F3DM, apresentado no ano passado, pode colocar a BYD à frente da General Motors e da maioria dos adversários. O carro custa US$ 22 mil — quase metade do preço estimado para o híbrido plug-in Volt e significativamente menos que o Mitsubishi i MiEV, disponível a US$ 31 mil depois de um subsídio de US$ 14,3 mil do governo japonês.

No ano passado Chuanfu ganhou como aliado o norte-americano Warren Buffett, famoso pelas investidas no mundo dos negócios. Desta vez ele pode ter acertado em cheio ao comprar 10% da BYD por US$ 230 milhões. As ações da companhia dispararam.

Não são poucas as tentativas de desenvolver baterias automotivas vencedoras. O governo norte-americano acaba de reservar US$ 1,5 bilhão para essa missão. O governo francês anunciou investimento de € 3,2 bilhões, parte do qual visa à criação de novos acumuladores de energia e milhares de postos para recarga.