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Racional ou Emocional? Melhor os dois

Sou descendente de alemães, húngaros, portugueses e índios (bugres, como eram chamados na região do Vale dos Sinos e do Caí, no Rio Grande do Sul). Denomino-me Vira Lata Brasileiro, um DNA de diversas vertentes.
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Redação AB

10 out 2012

3 minutos de leitura

O lado disciplinar da minha criação foi mais germânico. Desde cedo descobri minha inclinação para as ciências exatas. Minha formação de engenharia ajudou a consolidar um modo lógico de pensar e agir, com base em fatos, certezas, e decisões tomadas após análise cuidadosa dos dados. Numa época em que a tecnologia máxima era a televisão, li todos os livros de Agatha Christie, de Arthur Doyle e muitos outros. Sim, existia fantasia! Sim, vez ou outra me deixava levar pelas emoções. Mas a realidade tinha um peso maior em tudo que fazia.

Durante minha formação profissional valorizei muito os aspectos práticos. Já formado e trabalhando, a análise lógica me ajudou a tomar decisões assertivas rapidamente. Bastava informar-me, estudar, conhecer os detalhes funcionais e pronto: mais uma área dominada.

Com o passar do tempo, meu “sistema operacional interno”, aquele que nasce conosco, começou a disparar ordens que não interpretava corretamente. O modo lógico prevalecia. Claro que as emoções faziam parte da minha vida. Mas confesso que não lidava bem com elas. E mais: sentia um orgulho intrínseco nisso. Era como se fosse mais forte, mais resistente. Por isso corri mais riscos, na ilusão de que estava blindado.

Não posso reclamar. Conquistei a maioria de meus objetivos, cheguei onde queria. Quase sempre superei os desafios que a carreira me impôs. Mas o tal “sistema operacional interno” seguiu seu curso, lançando questionamentos, aumentando as sensações de inquietude que se juntavam ao meu dia-a-dia. Minha mãe definiu esse fenômeno assim: “você está envelhecendo meu filho!”

Quando decidi reconhecer a importância do lado emocional na minha vida profissional, um fascinante e desconhecido mundo se abriu diante dos meus olhos. Através do exercício da escrita, da fotografia, da meditação, somei inúmeras ferramentas ao meu portfólio. Na verdade hoje a distinção entre o pessoal e o profissional é pouco relevante. Em foco está o indivíduo, sua saúde, sentimentos, saber, o legado, como contribuir, como se divertir.

Meus clientes externam hoje uma preocupação maior com essa simbiose. Querem que o ambiente corporativo seja mais propício à junção do pessoal com o profissional. As mulheres estão na vanguarda, lidam melhor com isso. Os homens começam a perceber que, sem autoconhecimento e entendimento do impacto das emoções em suas vidas, ficam mancos, incompletos.

Não me iludo quanto à necessidade de produzir resultados significativos. O lucro é o motor dos negócios. Ele será consequência de uma estratégia de recursos humanos que sim o promova, mas em perfeita sintonia com os valores virtuosos daqueles que o produzem. Seres humanos exercendo seu talento com a certeza que vale a pena estar ali, fazendo a diferença, aprendendo e ampliando sua consciência sobre a vida.