
O executivo informa que metade do faturamento do grupo hoje vem das empresas de autopeças, os outros 50% são gerados pela Randon Implementos. “Como o grupo já tem 30% de participação no segmento de rebocados, fica difícil crescer além disso. Por isso o futuro da expansão da Randon está nas autopeças, onde ainda há espaço para avançar”, explica Oselame. E o mercado de reposição vem ganhando importância para o negócio, em vista do tombo de cerca de 30% nas vendas para montadoras em 2014, que fez o lucro do grupo cair em relação a 2013.
“Passamos por um momento agudo de crise, principalmente no segmento de caminhões, nosso maior cliente, que já acumula queda das vendas de 40% este ano. Mas acreditamos que essa situação não vai perdurar. O grupo tem condições e diversificação suficientes para passar melhor pelas dificuldades previstas para 2015 e 2016”, avalia Pedro Ferro, diretor à frente das operações da Fras-le, Master e Jost. O executivo explica que para o segmento de veículos pesados, a durabilidade das peças é maior, por isso o mercado de reposição nãoo compensa na mesma medida e nem com a mesma velocidade a expressiva queda nas vendas para as montadoras.
O aftermarket representa para a maioria das autopeças Randon cerca de 20% do faturamento, com exceção da Fras-le, que tem forte presença na reposição com suas pastilhas e lonas de freios, invertendo o porcentual para 80% do negócio concentrados no pós-venda. É também a empresa mais internacional do grupo, com fábricas nos Estados Unidos e China, e metade das receitas geradas pelas exportações e vendas fora do País.
As exportações também não crescem tão rápido, mesmo com o câmbio mais favorável às vendas externas. “O dólar hoje é fator secundário na exportação. Há outros fatores mais importantes, como custos e logística, que complicam os negócios”, diz Ferro. “O trabalho agora é para ganhar margem com nossa eficiência e desenvolvimento de produtos inovadores”, afirma o diretor. Ele informa que o grupo gasta de 3% a 4% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento.
“Trabalhamos ano a ano em novos produtos”, diz Marcelo Kuver, diretor comercial e de tecnologia da Suspensys, que este ano comemora a marca histórica de 1 milhão de eixos produzidos. Como exemplo, ele lembra o novo Tambor Multifuro para semirreboques e terceiro eixo em geral, com peso de 10% a 15% menor, o que contribui na economia de combustível dos caminhões.
Em seu estande na Automec deste ano, que acontece até o dia 11 no Anhembi, em São Paulo, a Fras-le lança dois novos componentes de freios no mercado nacional. O primeiro é a pastilha Matrix, já apresentada e vendida pela empresa no exterior com vantagens em redução de peso e aumento de eficiência de frenagem (leia aqui). Também apresenta uma nova lona de freio para ônibus: “Desenvolvemos o produto no nosso campo de provas de Caxias do Sul (RS) especialmente para as condições brasileiras, de trabalho em elevadas temperaturas, e conseguimos obter durabilidade 30% maior”, informa Paulo Barbosa Gomes, diretor comercial e de tecnologia da Fras-le.