
O Ebitda consolidado atingiu R$ 51 milhões no primeiro trimestre, com margem de 7,3%, representando uma queda de 8,3 pontos porcentuais com relação ao três primeiros meses de 2014.
No faturamento bruto, fechado em R$ 994,7 milhões, houve queda de 31,6% sobre o valor registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando a empresa faturou R$ 1,4 milhão. Neste ano, os ganhos do mercado interno despencaram, puxando o desempenho para baixo, com queda de 34%, para R$ 878,2 milhões, enquanto o mercado externo apresentou retração bem abaixo, de 7,4%, para R$ 116,4 milhões (ou US$ 39,7 milhões).
Em comunicado, a empresa reforça os fatores que adicionalmente contribuíram para os resultados, citando os quadros econômicos instáveis com retração dos investimentos, repercutindo, negativamente, em todos os setores da economia. Além disso, a Randon argumenta que o aumento da inflação, queda no PIB, aumento da carga tributária e das taxas de juros também pesaram no cenário negativo. Para se adequar à baixa demanda, a empresa optou por reduzir sua estrutura, aprovou paradas programadas e mantém processo de redução das jornadas de suas fábricas entre abril a junho, além das iniciativas de redução de custo.
“Para este ano, estamos enfrentando com coragem os novos desafios que surgem, em meio ao cenário de incertezas, sabendo que fica cada vez mais evidente que é preciso prosseguir na busca pela eficiência operacional ajustando-se à conjuntura”, disse o diretor financeiro e de relações com investidores, Geraldo Santa Catharina, que analisa com cautela os possíveis sinais de melhora de mercado tanto no nível de confiança e, em decorrência, nos negócios.
Por segmentos de atuação do grupo, a produção de implementos rodoviários ficou 50% menor no trimestre, para pouco mais de 7,5 mil unidades, volume que conferiu participação de 23,9% da Randon neste mercado, 1,7 ponto porcentual abaixo do market share verificado há um ano. Sem revelar o volume, a empresa confirma que há acúmulo de estoque, apesar da diminuição da produção e adequação do número de funcionários.
Sem citar números do setor de autopeças, a companhia ressalta que suas empresas adotaram o plano denominado Field Force, que envolve ações de diluição de custos e incremento das sinergias a fim de expandir sua participação no mercado de reposição. Vale lembrar que a Fras-le, fabricante de componentes de fricção das Empresas Randon, elevou seu lucro líquido a partir da estratégia de corte de custos e foco nas operações do exterior (leia aqui).
Por sua vez, as exportações totalizaram US$ 39,7 milhões, queda de 25% com relação ao mesmo trimestre de 2014, representando 16,7% do faturamento líquido contra 13% no mesmo período de 2014, aumentando consideravelmente sua importância dentro dos resultados da empresa diante de um mercado interno fragilizado. Nas operações instaladas no exterior, a receita bruta total ficou em US$ 33,2 milhões contra os U$ 27,1 milhões registrados há um ano. Somadas, as exportações e as receitas geradas pelas unidades no exterior alcançaram no U$ 72,9 milhões no trimestre contra U$ 80,1 milhões de iguais meses do ano passado.
Na contramão, o segmento de vagões se mantém nos trilhos do crescimento: a Randon já contabiliza a carteira formada para 2015. Durante o primeiro trimestre, foram produzidas 404 unidades, 31% a mais do que no início do ano passado. O avanço nas vendas e diferenciação no mix de produtos para os próximos trimestres devem aumentar a participação deste segmento nas receitas.
Para este ano, a Randon divulga ao mercado financeiro suas projeções, estimando faturamento bruto total de R$ 4,4 bilhões, com receita líquida consolidada em R$ 3,2 bilhões. Os investimentos previstos não devem passar de R$ 120 milhões. Já a receita no exterior deve chegar a US$ 300 milhões, e importações, US$ 80 milhões.